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Empresas ignoram alertas internos antes de afastamentos por depressão

O Brasil encerrou o último ano com uma marca histórica e preocupante: 546.126 afastamentos do trabalho foram registrados por transtornos psicossociais e comportamentais. O volume, que representa o segundo recorde em uma década, expõe uma falha estrutural na humanização e na gestão de pessoas dentro das empresas. Dados indicam que a maioria das corporações só formaliza protocolos de apoio quando o dano já está instalado e o colaborador precisa ser retirado de suas funções, ignorando um rastro de sinais prévios que surgem meses antes do colapso.

Em Minas Gerais, por exemplo, o estado registra cerca de 60 mil afastamentos, entrando na lista dos polos de maior incidência no ambiente corporativo por questões mentais no país. O cenário se repete em outras regiões, como São Paulo, que lidera o volume absoluto de casos, concentrando mais de 150 mil benefícios concedidos em 2025, enquanto estados do Sul, como o Paraná, apresentam taxas de crescimento acentuadas, em que os transtornos mentais já representam a terceira maior causa de concessão de auxílio-doença, impulsionados pela pressão nos setores industrial e de agronegócio.

A crise de saúde mental, que pressiona o orçamento da Previdência Social e eleva os custos operacionais do setor, ganha agora um componente de pressão jurídica. Com a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), a gestão de riscos psicossociais deixa de ser uma recomendação ética para se tornar uma exigência legal e passível de multas severas, conforme estabelecido na NR-28.

Mapa Regional do Adoecimento Mental no Brasil

O cenário de afastamentos revela uma concentração crítica nos principais eixos econômicos, onde o impacto financeiro para as organizações varia conforme o rigor das fiscalizações locais e a atuação de tribunais como o TRT-MG e o TRT-SP, que registraram altas históricas em processos por danos morais.

Enquanto Minas Gerais e São Paulo concentram o maior volume absoluto de licenças, cidades como o Rio de Janeiro, que registrou mais de 45 mil afastamentos , enfrentando desafios logísticos e de segurança que agravam o estresse ocupacional, gerando um efeito cascata no Fator Acidentário de Prevenção (FAP) e elevando a carga tributária de empresas que falham em implementar o gerenciamento de riscos psicossociais.

Os números reforçam que a crise de saúde mental não é uniforme, exigindo que corporações em diferentes estados, desde os polos de agronegócio no Paraná até as densas áreas industriais mineiras e paulistas, adaptem suas estratégias de acolhimento às pressões específicas de cada mercado local para garantir a sobrevivência financeira e reputacional diante das novas exigências da NR-1.

A invisibilidade dos sinais e a barreira do medo

Embora causas como o esgotamento profissional e a depressão liderem as causas de sobrecarga emocional, o afastamento raramente é um evento súbito. A Especialista de Head de Gente e Gestão da Contato Seguro, Heloísa Moraes, explica que “queixas informais, mudanças bruscas de comportamento e queda de produtividade são alertas frequentemente ignorados ou interpretados apenas como questões individuais de desempenho”, alerta.

O silêncio corporativo, contudo, tem raízes profundas: o medo da retaliação e a falta de preparo das lideranças impedem que o pedido de ajuda chegue ao RH. Muitas vezes, o colaborador evita canais internos por receio de ser rotulado ou demitido, enquanto o gestor direto, sem o treinamento adequado, falha em distinguir uma oscilação de produtividade de um sintoma clínico de esgotamento. Essa invisibilidade perpetua o ciclo de adoecimento e retira da empresa a chance de intervir precocemente.

A negligência tem preço elevado. Além do impacto humano, o custo para ingressar novos profissionais e as eventuais condenações por danos morais sobrecarregam a área financeira das empresas. O cenário é agravado pelo desconhecimento. Levantamentos recentes mostram que 68% das organizações admitem não compreender totalmente as mudanças impostas pela nova norma regulamentadora, o que as deixa expostas a sanções fiscais e processos trabalhistas, especialmente diante do aumento de 22% nos processos por assédio moral registrados no último ano.

O papel da escuta qualificada

Para romper o ciclo de reatividade, o foco do mercado de trabalho começa a se deslocar para estruturas de identificação precoce. Nesse cenário, o Canal de Acolhimento da Contato Seguro surge como uma ferramenta estratégica para captar demandas antes que elas se transformem em laudos médicos ou litígios.

Diferente de uma ouvidoria tradicional, esse modelo permite que o colaborador relate pressões excessivas ou importunações de forma segura, contando com o suporte de psicólogos-ouvidores especializados que garantem o sigilo necessário. Uma pesquisa recente da Contato Seguro revela que 77,7% das pessoas preferem o anonimato para que se sintam seguras para falar sobre os problemas no ambiente de trabalho.

Para a Head de Gente e Gestão da Contato Seguro, a escuta qualificada é o elo que falta entre o bem-estar e a conformidade legal.

“O Canal de Acolhimento funciona como um sensor térmico da cultura organizacional, identificando o risco psicossocial na raiz, permitindo que a empresa possa agir preventivamente antes do afastamento. Mais do que um suporte humano, é uma ferramenta de gestão de riscos que documenta a diligência da companhia, atendendo rigorosamente às exigências da nova NR-1 e protegendo o passivo financeiro contra o aumento exponencial de processos judiciais”, destaca Heloísa.

Impactos jurídicos e fiscais

A disparidade entre o número de diagnósticos e a capacidade de resposta das empresas acendeu o alerta nos órgãos de fiscalização. Enquanto os afastamentos disparam, a Previdência Social endurece o nexo causal, vinculando transtornos psicossociais diretamente ao ambiente de trabalho com maior frequência. Além do custo humano, cada licença concedida impacta diretamente o Fator Acidentário de Prevenção (FAP), elevando a carga tributária sobre a folha de pagamento das organizações.

A solução atua diretamente na mitigação desses riscos, gerando dados estratégicos e relatórios de People Analytics que transformam o ‘intangível’ da saúde mental em evidências auditáveis de gestão.

A adequação à NR-1 exige que as empresas possuam um Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) que contemple a saúde emocional. Ao transformar desabafos em dados estruturados e mapas de calor, a solução permite que a gestão identifique falhas de liderança ou processos doentes. Sem mecanismos que comprovem a prevenção e o acolhimento efetivo, as organizações tornam-se vulneráveis à NR-28, que regula a fiscalização e as penalidades.

O cenário atual indica que a sobrevivência financeira e reputacional das marcas dependerá, cada vez mais, da capacidade de ouvir, por meio de canais especializados e externos, o que os dados internos de comportamento já estão tentando avisar há alguns anos.

Sobre a Contato Seguro

A Contato Seguro é pioneira e líder no mercado brasileiro de Canais de Denúncia e Canais de Acolhimento externos e independentes, oferecendo soluções de escuta que apoiam as empresas na construção de ambientes corporativos mais íntegros e seguros. Com presença em mais de 50 países e atuação junto a mais de 3 mil clientes, transforma a forma como organizações e pessoas se conectam ao integrar tecnologia de ponta, inteligência artificial aplicada à otimização da gestão das plataformas e atendimento humanizado conduzido por psicólogos-ouvidores preparados para uma escuta ativa e segura.