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Divórcio entre brasileiros acima dos 50 anos avança no país e já representa 30% das separações, aponta IBGE

O termo “divórcio cinza” refere-se à separação de casais com mais de 50 anos que decidiram encerrar o casamento após décadas de vida em comum. A tendência acompanha um movimento global e desafia antigos padrões sociais, nos quais cônjuges permaneciam juntos até o fim da vida, muitas vezes por conveniência, pressão familiar ou dependência financeira.

Segundo dados do IBGE, cerca de 30% dos divórcios registrados nos últimos anos envolvem pessoas acima dos 50 anos – um salto aos 10% registrados em 2010. O aumento deste tipo de separação reflete uma mudança nas expectativas de vida, em que o envelhecimento já não representa o fim, mas, sim, o início de uma nova fase, pautada pela autonomia e pelo desejo de realização pessoal.

Além disso, o Brasil registrou em 2023 o maior número de divórcios da história: 440.827 separações – 4,9% a mais do que em 2022. Com o tempo médio dos casamentos caindo para 13,8 anos, é evidente que a decisão de se divorciar deixou de ser um tabu, mesmo entre casais mais maduros.

Causas e motivações: novas prioridades, novas decisões

A principal motivação por trás do divórcio cinza não é, necessariamente, o conflito ou a infidelidade, mas, sim, a vontade de viver com mais autenticidade. Com os filhos já adultos, os casais percebem que a relação perdeu o sentido ou que os objetivos de vida já não se alinham. 

É neste momento que o divórcio surge como uma alternativa legítima para buscar novos caminhos. A terapeuta de casais Aline Frasson destaca que a independência financeira, sobretudo entre mulheres, é um dos pilares desta transformação. “Elas buscam autoconhecimento e não têm mais receio de recomeçar. Isso muda o perfil das separações”, explica. 

Impactos emocionais e sociais da separação na maturidade

Embora o divórcio seja, para muitos, um passo positivo, ele também pode trazer desafios emocionais. A quebra de uma longa convivência mexe com a identidade, os vínculos sociais e a sensação de pertencimento. A solidão, o luto do fim da relação e as incertezas do recomeço exigem tempo e acolhimento.

No entanto, a separação na maturidade já não é mais vista como um fracasso. Ao contrário, vem sendo interpretada como uma atitude corajosa e consciente. Redes de apoio, grupos de reencontro com amigos e uso de aplicativos de relacionamento ajudam muitos divorciados a reconstruírem suas rotinas e redes afetivas.

Casos como o de Maria do Carmo, aposentada de 60 anos do Distrito Federal, mostram que a vida após o divórcio pode ser leve e até divertida. “Agora viajo com minhas amigas e estou em paz, mesmo com os desafios da guarda da minha filha, que tem Síndrome de Down”, conta.

Recomeço, desafios e guarda unilateral como solução em casos específicos

O divórcio cinza também pode envolver reorganizações familiares, especialmente quando ainda há filhos dependentes ou com necessidades especiais. Nestes casos, o diálogo e o planejamento são fundamentais. A guarda unilateral pode ser um trâmite importante, por garantir que um dos pais tenha a responsabilidade principal pelos cuidados.

Mesmo que a maioria dos casais nesta fase já tenha filhos independentes, a guarda unilateral é decisiva em contextos específicos, como o da própria Maria do Carmo, que cuida sozinha da filha com deficiência, justamente por permitir que se tenha mais estabilidade durante o processo e evitar disputas judiciais prolongadas.