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Dia do Professor: como a educação empreendedora tem transformado práticas de ensino no Maranhão

Com apoio do Sebrae, projetos desenvolvidos por educadores estimulam criatividade, autonomia e responsabilidade social.

A publicação do próprio livro por um jovem apaixonado por literatura e a transformação do trote universitário em uma rede de arrecadação de mantimentos revelam como o protagonismo em sala de aula altera o curso da aprendizagem no Maranhão. 

Neste Dia do Professor, iniciativas lideradas por educadores locais demonstram como o desenvolvimento de competências como iniciativa, liderança e resolução de problemas práticos aproxima os estudantes do impacto social direto em suas comunidades. As ações integram a estratégia do Sebrae de incorporar a Educação Empreendedora ao cotidiano escolar do estado.

No Centro Educa Mais Almirante Tamandaré, em São Luís, a gestora pedagógica e professora há 14 anos, Karini da Silva Pinto, idealizou, ao lado das educadoras Christiane Praseres Lima Cunha e Ecleid Maria Bonfim Vieira, o projeto “Gostei, Indiquei: o protagonismo e a formação do comportamento leitor”. A iniciativa reúne 15 estudantes voluntários que atuam como tutores da biblioteca, organizando saraus, lançamentos de livros, conteúdos digitais e recomendações de leitura para os colegas.

Um dos momentos mais marcantes do projeto foi o lançamento do livro de um estudante que sonha em ser escritor e cineasta. A escola organizou um evento oficial de autógrafos e bate-papo para celebrar a conquista com a comunidade escolar.  “Foi um momento de muita aprendizagem, valorização e bate-papo com o autor”, recorda Karini.

A experiência rendeu ao projeto o primeiro lugar na etapa estadual do Prêmio Educador Transformador, realizado em parceria com o Instituto Significare e a Bett Brasil, na categoria Gestão Educacional Transformadora, garantindo sua classificação para a etapa nacional em 2026.

Educação que gera impacto social

No Ensino Superior, a proposta ganha traços de responsabilidade social na Biblioteca Central da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA). A pedagoga Ana Lídia Sobrinho Rudakoff participa ativamente do projeto Trote Solidário, idealizado por Kátia Soares dos Santos, coordenadora do Sistema Integrado de Bibliotecas da instituição. 

A iniciativa substitui recepções tradicionais por campanhas de arrecadação de alimentos, roupas, brinquedos, materiais escolares e itens de higiene, acompanhadas de ações de acolhimento e leitura.

O Trote Solidário conquistou o segundo lugar na etapa estadual do mesmo Prêmio Educador Transformador, evidenciando como a capacidade de organizar soluções coletivas amplia o conceito de empreendedorismo para além do ambiente de negócios. 

Para Ana Lídia, a experiência mostra que o empreendedorismo não se limita à criação de empresas, mas também envolve identificar necessidades e organizar iniciativas capazes de gerar benefícios coletivos. 

“A Educação Empreendedora estimula o estudante a deixar de ser apenas alguém que recebe informações e passar a participar ativamente da construção de soluções”, explica. 

Formação e acompanhamento nas escolas

Para dar suporte contínuo a essas redes de aprendizado, o Sebrae conta com 17 Agentes Locais de Inovação (ALI) voltados à Educação Empreendedora, atendendo 245 escolas. O programa realiza diagnósticos personalizados, identifica gargalos e desenha planos de ação ao lado dos gestores e professores do Ensino Básico, estimulando a cultura da inovação em toda a comunidade escolar.

“O programa acontece por meio de visitas e orientação de um Agente Local de Inovação, que realiza um diagnóstico da instituição, identifica os principais desafios e necessidades e apresenta um plano de ação, que será executado em parceria com os educadores e lideranças da escola”, ressaltou a gerente de Empreendedorismo Territorial do Sebrae-MA, Hildenê Maia. 

Além do acompanhamento direto via ALI, um portfólio de 72 soluções educacionais atende alunos, professores e gestores locais, marcando presença também em momentos de formação continuada, como as Jornadas Pedagógicas. A abordagem integrada busca assegurar que as competências socioemocionais acompanhem todas as etapas do ensino, respeitando cada faixa etária. 

Para Mayna Braga, coordenadora estadual de Educação Empreendedora do Sebrae Maranhão, a formação continuada e o acompanhamento dos educadores são essenciais para que essas práticas sejam incorporadas ao cotidiano das instituições.

“Nosso objetivo é apoiar os professores para que a Educação Empreendedora esteja presente nas diferentes etapas do ensino, respeitando cada faixa etária e estimulando competências importantes para a vida, o mundo do trabalho e a participação social. Quando crianças e jovens aprendem a identificar desafios, trabalhar em equipe e propor soluções, ampliam suas possibilidades de construir projetos de vida e contribuir para a transformação de suas comunidades”, concluiu.