O Maranhense|Noticias de São Luís e do Maranhão

Últimas Noticias

Casa de farinha será reinaugurada no Maracanã

_Casa de farinha comunitária e fortalece a produção local, a segurança alimentar e a geração de renda para famílias rurais._

*São Luís (MA)* –  A tradição da farinha de mandioca continua viva no bairro Maracanã graças ao trabalho de agricultores como seu Jaime Carneiro, de 64 anos. Nascido e criado no local, ele herdou do pai não apenas o nome, mas também os conhecimentos sobre o cultivo da mandioca e a produção artesanal da farinha, atividade que atravessa gerações na família.

Na próxima sexta-feira, dia 26 de junho, essa história ganhará um novo capítulo com a reinauguração da Casa de Farinha Jaime Carneiro, localizada no sítio da família, no Maracanã. O espaço foi recuperado por meio do Projeto Voa Maracanã e passa a oferecer melhores condições para a produção, beneficiando não apenas seu Jaime e sua esposa, Dona Marileide, mas também outras famílias da comunidade.

A produção começa na roça cultivada pelo casal. O plantio sustentável de mandioca foi implantado com apoio do Projeto Voa Maracanã, que também investiu na recuperação da casa de farinha. As melhorias incluíram a reforma do telhado, piso, colunas, conclusão do banheiro e a recuperação dos fornos utilizados no processamento da mandioca. “Pra gente todo esse investimento é muito importante, porque hoje a gente tá vivendo disso”, destaca Seu Jaime.

Atualmente, a produção é destinada principalmente ao consumo da família. Com a revitalização da estrutura, a expectativa é aumentar a capacidade produtiva e possibilitar a comercialização do excedente, gerando mais renda ao casal.

*Tecnologia comunitária a serviço das famílias*

Mais do que um espaço de trabalho familiar, a Casa de Farinha Jaime Carneiro desempenha um importante papel comunitário. A estrutura é utilizada por moradores da região que levam sua própria produção de mandioca para realizar o beneficiamento da matéria-prima.

É o caso da dona Maria da Conceição, vizinha de Seu Jaime, que também utiliza o equipamento para transformar a mandioca em farinha destinada ao consumo da família. São várias etapas de processamento, desde a trituração no caititu até a peneiração, torrefação, pesagem e embalagem da farinha.

Além de preservar um saber tradicional, a estrutura fortalece a autonomia das famílias rurais, contribui para a segurança alimentar e cria oportunidades de geração de renda.

*Farinhada e capacitação*

A programação de reinauguração contará também com uma oficina prática de produção de farinha, ministrada pelo pesquisador da Embrapa Maranhão, José Ribamar Veloso. A chamada “farinhada” tem como objetivo compartilhar conhecimentos sobre o processamento da raiz de mandioca e as boas práticas de fabricação.

Durante a atividade, os participantes receberão orientações sobre procedimentos que contribuem para melhorar a qualidade do produto, garantindo mais higiene, textura e sabor, além de agregar valor à farinha produzida e ampliar as possibilidades de acesso a novos mercados.

*Sobre o Projeto Voa Maracanã*

O Voa Maracanã é uma iniciativa articulada pela Vale S.A., implementada pelo Instituto Formação, com o coinvestimento do Instituto Equatorial, da Logicalis Tecnologia e Participações LTDA, da Plamont – Planejamento, Montagem e Engenharia LTDA e do Grupo Usiminas, além da parceria técnica da EMBRAPA.

O projeto tem como objetivo conectar 712 famílias de comunidades rurais do Maracanã e regiões adjacentes para promover melhorias integrais nas áreas de educação, saúde, renda, segurança alimentar, cultura e lazer.

Por meio de ações socioassistenciais, educativas e de inclusão produtiva, realizadas em parceria com órgãos públicos, universidades, empresas e organizações da sociedade civil, o projeto busca fortalecer os modos de vida locais, valorizar a produção comunitária e promover o diálogo entre os saberes tradicionais e as novas tecnologias.

A iniciativa aposta em modelos de desenvolvimento que respeitam a ancestralidade, fortalecem a agricultura familiar e ampliam as oportunidades para que as famílias permaneçam produzindo e vivendo com dignidade em seus territórios.