Cafés especiais conquistam novos públicos e revelam mudanças no consumo da bebida no Maranhão
Com foco em experiência, qualidade e origem, cafés especiais atraem consumidores mais jovens e impulsionam novas oportunidades de negócio.
Na xícara, o café vai além de parte do ritual que desperta os brasileiros todas as manhãs. Entre aromas, histórias e experiências, a bebida se transforma em expressão cultural — e também em oportunidade de negócio.
Celebrado em 14 de abril, o Dia Mundial do Café reforça a importância da bebida não apenas como tradição, mas também como um produto que historicamente fomenta a economia do país. O movimento revela a força de um mercado que, para quem deseja empreender, oferece caminhos apoiados por instituições como o Sebrae.
O que diferencia um produto nesse segmento cada vez mais competitivo, segundo a analista técnica do Sebrae Maranhão, Paula Waldira, é a soma de elementos que vão além da qualidade da bebida. “Um cardápio diferenciado, a qualidade dos grãos e a oferta de outros serviços fazem diferença, como cursos, degustações e até exposições de arte”, explica.
Consumo em alta e novas tendências
A força desse mercado também aparece nos números. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Café, 95% dos brasileiros consomem a bebida. O Brasil é ainda o segundo maior consumidor mundial, com cerca de 13% da demanda global, o equivalente a aproximadamente 21 milhões de sacas por ano.
Mesmo com a predominância do café tradicional, o segmento premium tem avançado de forma mais acelerada. Hoje, representa entre 5% e 10% do consumo total, mas cresce cerca de 15% ao ano — ritmo superior ao do café convencional, que registra crescimento médio de 3,5%.
Esse avanço é percebido por quem está no dia a dia do setor. Empreendedor à frente da cafeteria Doc Brown, especializada em cafés especiais, Thiago Gléria conta que foi a experiência proporcionada pela bebida que o motivou a entrar nesse mercado.
“Os cafés especiais despertam sensações bem diferentes do que simplesmente tomar um café para se saciar ou ir a uma cafeteria para conversar com um amigo. É uma experiência sensorial bem diferente”, explica.
Segundo ele, há todo um cuidado no processo. “Tem atenção com o grão, a torra é controlada, a gente não carboniza o café. Enfim, isso acabou despertando na gente esse interesse”, afirma. A partir daí, veio também uma reflexão. “A gente se perguntava: como o Brasil, sendo um grande produtor, ainda conhece tão pouco sobre café? Então decidimos trazer esse negócio para a cidade, ajudando a formar essa cultura de consumo”, completa.
O café como protagonista
Pode parecer óbvio, mas é justamente isso que garante a diferenciação no mercado local. Segundo Thiago, a ideia desde o início foi construir um negócio em que a bebida fosse protagonista. “A gente não é uma lanchonete que vende café. Nosso carro-chefe é o café. Somos uma cafeteria especializada, com foco total na qualidade”, afirma. Ele explica que, enquanto muitos estabelecimentos tratam o café como complemento, o modelo da casa segue o caminho oposto.
“Nosso cardápio de acompanhamento é pequeno. Já o de café é amplo: temos os clássicos, cafés filtrados, diferentes grãos, bebidas à base de café, drinks com e sem álcool. Tudo gira em torno do café de qualidade”, destaca.
Cada vez mais, o público busca não apenas a bebida, mas uma experiência completa, que envolve ambiente, atendimento, métodos de preparo e, principalmente, a história por trás do produto. Entre os novos consumidores, chama atenção a presença crescente de jovens, que se interessam por diferentes formas de preparo, valorizam a estética das cafeterias e demonstram preocupação com origem e sustentabilidade.
“Hoje, as pessoas que procuram esse tipo de espaço já entendem que não se trata apenas de uma cafeteria comum. A gente fala em cafeterias especializadas, que são lugares que trabalham com cuidado, com cafés de qualidade, buscando extrair o melhor do produto e oferecer uma experiência completa”, explica Thiago.
Esse modelo ainda está em consolidação em cidades como São Luís, o que abre espaço, mas também exige preparo. “Existe potencial, até porque ainda são poucas cafeterias. Mas é um mercado que exige profissionais especializados, gente que entenda as características do café para garantir que ele seja preparado da melhor forma possível”, afirma.
O empreendedor também destaca que a cafeteria atua com um braço educacional, promovendo workshops para consumidores e profissionais do setor. “Acreditamos que isso ajuda a mudar a cultura da cidade e do estado em relação ao café. Por isso, trazemos cursos e workshops para ampliar o conhecimento das pessoas”, explica.
O empreendedor acredita que esse processo contribui diretamente para a evolução do mercado. “Quando as pessoas passam a entender mais sobre café, elas conseguem identificar qualidade, fazem críticas mais qualificadas e ajudam a elevar o nível do setor. Isso acaba pressionando o próprio mercado a melhorar”, afirma.
Conhecimento que vira negócio
Atuar no mercado de cafés especiais exige preparo em diferentes frentes, que vão desde a escolha do ponto comercial até a capacitação da equipe. Segundo a analista técnica do Sebrae Maranhão, Paula Waldira, a localização é um dos primeiros fatores a serem considerados, priorizando áreas de fácil acesso e com potencial público consumidor. Outro ponto essencial é a estrutura do espaço, que deve ser acolhedora, confortável e com identidade visual bem definida, já que a experiência do cliente começa antes mesmo do cardápio.
“É importante que o empreendedor passe por capacitações em gestão financeira antes de abrir o negócio e também durante o funcionamento da empresa, para manter uma boa organização e sustentabilidade”, explica a analista técnica do Sebrae Maranhão, Paula Waldira.
Ela destaca ainda a importância de formações voltadas à tecnologia e marketing, além da participação em eventos. “Cursos que envolvem ferramentas como cardápio digital, programas de fidelidade e autoatendimento ajudam a modernizar o atendimento e melhorar a experiência do cliente. Estar presente em eventos temáticos também é uma forma de divulgar a marca, apresentar o produto e fortalecer o posicionamento no mercado”, completa.
Para garantir o sucesso, entender o produto, os processos e a gestão do negócio é fundamental para acompanhar o nível de exigência do consumidor. Para Thiago, na prática, esse preparo faz diferença. “Eu fiz curso de barista, de torra, para entender de fato o produto que eu estava vendendo. Depois, busquei capacitações voltadas para gestão de cafeterias e torrefações, porque são negócios com particularidades diferentes de um restaurante ou de um bar”, conta.
O empreendedor destaca ainda o papel do Sebrae nesse processo. “O Sebrae foi muito importante, principalmente na construção da marca. A gente tinha só um nome, e a partir do trabalho de branding conseguimos desenvolver identidade, posicionamento e a forma de pensar o negócio. Isso ajudou a reforçar aquilo que a gente acreditava e a dar mais consistência ao que a gente entrega”, afirma.
Procure o Sebrae – Para mais informações sobre as iniciativas desenvolvidas pelo Sebrae, procure a Unidade de Negócios do Sebrae em São Luís, localizada no Multicenter Negócios e Eventos, ou a Central de Atendimento, no 0800 570 0800 (telefone e WhatsApp). Acompanhe ainda os canais digitais do Sebrae no Maranhão: Instagram (@sebraemaranhao) e YouTube (https://www.youtube.com/sebraemaranhao).
