Anvisa proíbe venda de canetas emagrecedoras sem registro: o que torna esses produtos perigosos?
Professora de Medicina do IDOMED explica os riscos de medicamentos de procedência desconhecida e os cuidados necessários antes de iniciar o tratamento
A promessa de emagrecimento rápido, os preços mais baixos e a facilidade de compra pela internet podem parecer atrativos para quem busca perder peso. Mas, por trás dessas ofertas, existe um risco que nem sempre é percebido pelo consumidor: a possibilidade de aplicar no próprio corpo uma substância sem garantia de qualidade, eficácia ou mesmo segurança.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) determinou a apreensão e a proibição de produtos sem registro sanitário, incluindo versões de tirzepatida e retatrutida comercializadas irregularmente. A medida reforça o alerta sobre os perigos de medicamentos de procedência desconhecida.
Segundo a médica de família e comunidade Anna Eduarda Amorim, professora de Medicina do IDOMED, o principal problema está na falta de garantia sobre a composição desses produtos. “Esses produtos podem conter substâncias diferentes das anunciadas, doses incorretas ou contaminantes. Isso pode provocar intoxicações, reações alérgicas, infecções e até ausência do efeito esperado. Por serem medicamentos injetáveis, a esterilidade é fundamental”, explica. A especialista ressalta que o registro na Anvisa significa que o produto passou por uma avaliação de qualidade, etapa fundamental para sua comercialização regular.
Armazenamento inadequado também oferece riscos
Mesmo quando o medicamento possui registro, o transporte e a conservação inadequados podem comprometer sua eficácia. Em muitos casos, o armazenamento das canetas emagrecedoras exige condições específicas, que devem ser respeitadas desde a distribuição até a aplicação.
“O calor excessivo, a exposição à luz ou o congelamento podem comprometer a estabilidade da fórmula e reduzir sua eficácia. As condições de conservação precisam ser respeitadas desde o transporte até o uso em casa”, orienta a médica.
Anna Eduarda explica que o tempo permitido fora da geladeira varia conforme a marca e a apresentação do produto. Por isso, é fundamental seguir as orientações da bula. “Receber uma caneta gelada não comprova que ela foi conservada corretamente durante todo o trajeto”, alerta.
AUTOMEDICAÇÃO
Outro risco é a utilização desses medicamentos sem acompanhamento médico. Iniciar o tratamento com doses elevadas ou aumentar a quantidade por conta própria pode intensificar os efeitos adversos e provocar complicações.
“Náuseas, vômitos e diarreia podem causar desidratação e comprometer os rins. A queda excessiva da glicose também é um fator de atenção, principalmente em quem utiliza insulina ou determinados medicamentos para diabetes. O acompanhamento médico é importante para avaliar contraindicações e interações medicamentosas, ajustar o tratamento e reconhecer complicações precocemente”, destaca a professora.
CUIDADOS
Antes de adquirir uma caneta emagrecedora, é importante verificar o registro na Anvisa, comprar em farmácias autorizadas, exigir nota fiscal e conferir a embalagem, o lacre, o lote e a validade. Ofertas com preços muito abaixo do mercado e vendas por canais informais também devem despertar desconfiança.
A especialista lembra ainda que a venda desses medicamentos exige retenção da receita médica e que o paciente deve receber orientações sobre conservação, aplicação e possíveis efeitos adversos. “Nunca inicie o tratamento sozinho ou modifique as doses por conta própria, especialmente com base em indicações de outras pessoas ou informações compartilhadas na internet”, adverte.
