André Campos cobra ação da Prefeitura diante de nova crise no transporte público
Em pronunciamento na sessão desta terça-feira (18), na Câmara Municipal de São Luís, o vereador André Campos (PP) voltou a cobrar ações urgentes da Prefeitura de São Luís diante da nova paralisação no transporte público. O parlamentar criticou a “guerra de narrativas” entre o Executivo Municipal e os empresários do setor e criticou o prefeito Eduardo Braide (PSD) pela falta de diálogo e por tomar decisões “apenas pelas redes sociais”.
Segundo o vereador, desde segunda-feira (17), a Câmara tem recebido uma “avalanche de questionamentos” sobre a redução da frota de ônibus, o uso de vouchers para corridas por aplicativo e a indefinição quanto à existência ou não de greve no sistema.
André Campos relembrou que, em fevereiro, o Legislativo aprovou, em regime de urgência, uma Lei Complementar enviada pelo Executivo permitindo o custeio de corridas por aplicativo caso a frota em operação ficasse abaixo de 60%. O texto — destacou — chegou à Casa sem estimativa de impacto financeiro, sem previsão orçamentária e sem detalhamento técnico.
Apesar da aprovação, o vereador afirmou que a Prefeitura não chamou a Câmara de São Luís para discutir os próximos passos, incluindo a nova licitação autorizada no mesmo projeto.
O parlamentar voltou a criticar o anúncio feito pelo prefeito no último domingo (16), quando Braide liberou o pagamento de transporte por aplicativo para estudantes que fariam o Enem. Segundo Campos, houve desacordo com a própria lei enviada pelo Executivo, já que o prefeito afirmou à época que 80% da frota estava em circulação — percentual acima do limite mínimo que justificaria o uso dos vouchers. “Pela lei, isso configuraria improbidade administrativa”, afirmou.
Ele também relatou dificuldades enfrentadas pelos usuários nesta terça-feira (18): “A cidade amanheceu com menos ônibus e os vouchers não estão funcionando. Recebemos centenas de mensagens”. Para André Campos, a falta de transparência sobre os custos reais do transporte coletivo é hoje a principal barreira para resolver a crise. Ele defendeu acesso “imediato e
definitivo” às planilhas enviadas pelas empresas à Secretaria Municipal de Trânsito e Transporte (SMTT).
“Não fecha a conta: o prefeito diz ter dinheiro para pagar corridas de R$ 30, mas a passagem custa R$ 4,20. A cidade consegue bancar isso por 30 dias? Tem previsão orçamentária? Ou vamos administrar São Luís pelo Instagram?”, questionou. O vereador afirmou que o Município poderia intervir imediatamente no sistema e garantiu o apoio do Legislativo. Ele também sugeriu a criação de uma empresa pública de transporte, com aquisição gradual de ônibus financiada pelos recursos hoje destinados ao subsídio das empresas privadas.
Líder do governo rebateu: “licitação está em andamento”
O líder do governo na Câmara, Dr. Joel (PSD), afirmou que a Prefeitura já trabalha na nova licitação, mas ressaltou que o processo é complexo e foi prejudicado por “apagamento de informações e dados importantes”. Dr. Joel disse ainda que o único repasse não realizado pelo Executivo foi o referente ao mês de novembro e questionou como algumas empresas afirmam ter até dois meses de salários atrasados. Joel informou que os processos de caducidade dos contratos e o da licitação tramitam simultaneamente na Procuradoria Geral.
Vereadores reforçaram críticas
Os vereadores Wendell Martins (Podemos) e Jhonatan Soares, do Coletivo Nós (PT), também criticaram a gestão municipal e defenderam medidas estruturantes. Wendell Martins destacou que usuários e trabalhadores do transporte são os principais prejudicados e apoiou a criação de uma empresa pública municipal.
Jhonatan lembrou as recomendações da CPI do Transporte — como regulamentação do transporte alternativo, nova licitação e criação de empresa pública — e cobrou sua implementação. Ele também denunciou a demissão de mais de 200 rodoviários em outubro, sem pagamento de direitos trabalhistas.
Encerrando o debate, André Campos voltou a criticar a falta de diálogo entre o prefeito Eduardo Braide e o Legislativo. Segundo ele, a condução isolada da crise tem levado a erros sucessivos. “Se o prefeito tivesse pelo menos 5% da disposição de diálogo que o líder dele tem aqui na Câmara, São Luís teria avançado muito. Não dá para administrar a cidade só por rede social”, afirmou o vereador.
O parlamentar reforçou que a Câmara está disposta a apoiar medidas estruturantes, mas alertou que o Executivo precisa “repensar a forma de fazer política”. “Nós representamos a população. O prefeito precisa nos ouvir. Não é possível enfrentar esse sistema sozinho.”
