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Novembro Azul: atenção primária amplia o cuidado com a saúde masculina e a prevenção de doenças

A prevenção de doenças e o cuidado com a saúde masculina precisam ir muito além dos exames relacionados ao câncer de próstata. Hipertensão, diabetes, colesterol elevado, doenças cardiovasculares, infecções sexualmente transmissíveis e transtornos de saúde mental também exigem atenção. Nesse cenário, a Atenção Primária à Saúde (APS), por meio das Unidades Básicas de Saúde (UBS), tem papel fundamental na identificação precoce de problemas e no acompanhamento dos homens ao longo da vida.

No Maranhão, bem como em toda a região Nordeste, a importância desse cuidado é reforçada pelos indicadores de saúde. O Observatório da Saúde dos Homens, vinculado ao Ministério da Saúde, publicou em 2026 um painel com registros da Atenção Primária entre 2015 e 2025. O levantamento mostra que, em 2025, na região Nordeste, houve aproximadamente 3,03 atendimentos de mulheres para cada atendimento masculino na APS.

Para a médica clínica geral Jessyca Castro, professora da Afya Santa Inês, o cuidado precisa considerar o homem de maneira integral, contemplando aspectos físicos, mentais, sexuais e sociais.

“A saúde do homem vai além do cuidado com a próstata. Precisamos olhar para ele de forma integral, considerando sua saúde física, mental, sexual e social”, destaca.

A médica chama atenção para a importância de acompanhar indicadores como pressão arterial, colesterol e glicemia, que ajudam a identificar fatores de risco para doenças como infarto e acidente vascular cerebral (AVC). Ela também ressalta que a prevenção de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), assim como a atenção à ansiedade e à depressão, deve fazer parte desse acompanhamento.

Para Jessyca Castro, o primeiro passo para quem deseja cuidar melhor da saúde é procurar a Unidade Básica de Saúde de referência. Nesse espaço, o homem pode receber orientações, realizar avaliações de saúde e ter acompanhamento de acordo com sua idade, histórico familiar e fatores de risco.

A campanha Novembro Azul é uma oportunidade para ampliar essa conscientização e reforçar que cuidar da saúde não deve ser uma preocupação restrita a um mês do ano. A prevenção começa com atitudes cotidianas, acompanhamento regular e disposição para procurar ajuda sempre que necessário.

Barreiras culturais ainda dificultam a prevenção

Apesar da importância do acompanhamento regular, fatores culturais e sociais ainda podem afastar os homens dos serviços de saúde. A ideia de que procurar atendimento ou demonstrar preocupação com o próprio corpo representa fragilidade contribui para que muitos adiem consultas e exames preventivos.

O psiquiatra João Arnaud Diniz Neto, professor da Pós-graduação em Psiquiatria da Afya Educação Médica São Luís, explica que essa resistência está relacionada a padrões de comportamento aprendidos desde a infância. “Historicamente, muitos homens foram educados com a ideia de que precisam ser fortes, independentes e capazes de resolver seus problemas sozinhos. Desde a infância, é comum ouvirmos expressões como ‘homem não chora’ ou ‘homem tem que aguentar’”, observa.

Segundo o especialista, essa formação pode dificultar o reconhecimento e a expressão do sofrimento emocional. Em alguns casos, os sinais de adoecimento também não são facilmente percebidos. A demora em procurar ajuda pode comprometer tanto a saúde física quanto a mental. 


O psiquiatra destaca que o atraso no diagnóstico e no tratamento favorece o agravamento de condições que poderiam ser identificadas precocemente, como hipertensão, diabetes, doenças cardiovasculares, depressão e ansiedade. Nos casos de sofrimento psíquico, as consequências podem atingir os vínculos familiares, a vida profissional e aumentar o risco de suicídio.

“Precisamos desconstruir essa ideia de que suportar o sofrimento em silêncio é uma demonstração de força. Reconhecer que algo não está bem e procurar ajuda é, na verdade, uma atitude de responsabilidade consigo mesmo e com as pessoas que estão ao nosso redor”, reforça João Arnaud.

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