ENEM: como pais podem ajudar nos estudos sem aumentar a pressão dos vestibulandos?
Especialista orienta famílias a oferecerem apoio emocional, rotina equilibrada e diálogo para apoiar os estudantes
Com a aproximação do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), marcado para os dias 8 e 15 de novembro, muitos estudantes intensificam a rotina de estudos e convivem com expectativas relacionadas ao desempenho, à escolha profissional e ao ingresso no ensino superior. Nesse período, a participação da família pode ser decisiva para oferecer segurança e acolhimento, desde que o apoio não se transforme em cobrança excessiva.
De acordo com Jaqueline Rocha, coordenadora do curso de Psicologia da Faculdade Anhanguera, o primeiro passo é compreender que a reta final exige equilíbrio. “O estudante já está exposto a uma carga emocional importante. Quando a família reforça apenas a necessidade de resultado, mesmo com boa intenção, pode aumentar sentimentos de ansiedade, medo de decepcionar e insegurança. O mais importante é transmitir confiança e mostrar que ele não está sozinho nesse processo”, explica.
A especialista destaca que ajudar nos estudos não significa fiscalizar cada etapa da preparação. Em vez de controlar horários, notas em simulados ou tempo de dedicação, os pais podem contribuir criando um ambiente mais organizado, oferecendo suporte prático e respeitando momentos de descanso. Pequenas atitudes, como evitar interrupções durante os estudos, ajudar na logística para o dia da prova e manter conversas tranquilas, fazem diferença.
“A rotina familiar precisa funcionar como uma base de estabilidade. Perguntar como o jovem está se sentindo, reconhecer o esforço feito ao longo do ano e validar as dificuldades são formas de apoio mais efetivas do que comparações ou cobranças por produtividade o tempo todo”, afirma Jaqueline.
Outro ponto importante é observar sinais de sobrecarga emocional. Alterações frequentes no sono, irritabilidade, isolamento, crises de choro, queda brusca de rendimento ou sensação constante de incapacidade podem indicar que o estudante precisa de ajuda adicional. Nesses casos, a orientação é buscar escuta qualificada e, se necessário, acompanhamento psicológico.
Para a coordenadora, a proximidade da prova também pede cuidado com frases que, embora pareçam motivacionais, podem soar como pressão. Expressões como “agora é tudo ou nada” ou “você precisa passar este ano” podem intensificar a tensão. “É mais acolhedor reforçar que o ENEM é uma etapa importante, mas não define todo o futuro do estudante. Essa perspectiva ajuda a reduzir o peso emocional e favorece um desempenho mais tranquilo”, pontua.
Na prática, os pais podem ajudar combinando uma rotina realista para a reta final, incentivando pausas, sono adequado e alimentação equilibrada, além de evitar mudanças bruscas nos dias que antecedem a avaliação. Também é recomendado conversar previamente sobre documentos, horário, local de prova e deslocamento, para reduzir imprevistos e deixar o estudante mais seguro.
“O apoio da família deve lembrar ao vestibulando que ele é mais do que o resultado de uma prova. Quando os pais conseguem equilibrar incentivo, confiança e respeito ao tempo emocional do filho, contribuem para que esse período seja vivido com mais serenidade”, finaliza.
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