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Saúde

Cuidados com a saúde bucal na infância podem prevenir problemas ortodônticos

Ortodontista Cristiane Barros Leal alerta para a importância da avaliação precoce e explica quando o uso de aparelho pode ser necessário

A semana em que se celebra o Dia das Crianças, comemorado no último dia 12, também é também uma oportunidade para chamar a atenção das famílias sobre a importância dos cuidados com a saúde bucal desde os primeiros anos de vida. Além da prevenção de cáries e da manutenção de uma boa higiene oral, o acompanhamento odontológico permite identificar alterações no desenvolvimento dos dentes e dos ossos da face, evitando que determinados problemas se agravem ao longo do crescimento.

Segundo a ortodontista Cristiane Barros Leal, um dos equívocos mais comuns entre os pais é acreditar que a avaliação ortodôntica só deve acontecer depois da troca dos dentes de leite pelos permanentes. A especialista explica que a infância é uma fase importante para observar o desenvolvimento da arcada dentária e identificar possíveis alterações na mordida.

“A presença de dentes de leite não impede uma avaliação ortodôntica. Durante a infância, os dentes, os ossos da face e as funções da boca estão em desenvolvimento. Por isso, acompanhar esse processo permite identificar alterações e definir, quando necessário, o melhor momento para iniciar um tratamento”, explica Cristiane.

A especialista ressalta que nem toda criança que apresenta alguma alteração precisa usar  aparelho imediatamente. A indicação depende do tipo de problema identificado, da fase de desenvolvimento e das características individuais de cada paciente.

“Não é a idade, isoladamente, que define a necessidade de tratamento. Uma criança pode ser avaliada ainda pequena e precisar apenas de acompanhamento. Outra, na mesma fase, pode apresentar uma alteração que justifique uma intervenção. O mais importante é fazer o diagnóstico e escolher o momento adequado para cada caso”, destaca a ortodontista.

Problemas que merecem atenção

Entre as alterações que podem exigir avaliação estão problemas no encaixe dos dentes, como mordidas cruzadas e abertas, dentes projetados ou desalinhados, dificuldade para morder ou mastigar, perda precoce de dentes de leite e falta de espaço para os dentes permanentes. Alterações no crescimento dos maxilares também devem ser observadas.

O diagnóstico precoce permite acompanhar o desenvolvimento dos dentes, avaliar os espaços disponíveis na arcada e observar o crescimento da face. “A partir dessas informações, o ortodontista pode identificar se existe indicação de tratamento ou se o mais adequado é apenas acompanhar a evolução da criança. Em muitos casos, o acompanhamento é suficiente até que seja identificado o momento mais adequado para uma possível intervenção”, afirma a cirurgiã-dentista.

Hábitos também fazem parte da avaliação

A análise ortodôntica não deve se limitar à posição dos dentes. Hábitos como o uso prolongado de chupeta e a sucção do dedo podem estar relacionados a alterações na mordida e no desenvolvimento da arcada. A posição da língua, a deglutição e outras funções bucais também devem ser observadas durante a avaliação.

 “Quando existe um hábito, precisamos avaliar sua participação na alteração encontrada e trabalhar para removê-lo no momento adequado. Colocar um aparelho sem observar as funções e os fatores envolvidos seria olhar apenas para uma parte do problema”, afirma Cristiane.

Após a retirada de um hábito, algumas alterações podem melhorar espontaneamente, principalmente quando ele é interrompido mais cedo. Em outras situações, a alteração pode permanecer e exigir acompanhamento ou tratamento.

A respiração predominantemente pela boca também merece investigação. Quando são identificadas alterações funcionais ou há necessidade de avaliar suas causas, o acompanhamento pode envolver outros profissionais, de acordo com as necessidades de cada criança.