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Zoonoses em gatos: como proteger a família e o animal

A presença de gatos nos lares brasileiros vem crescendo e, com ela, também muda a relação das famílias com esses animais. Dados do Instituto Pet Brasil (IPB) de 2025 apontam crescimento de 5,4% na população felina, que passou de 29,2 milhões para 30,8 milhões de gatos nos lares.

Esse convívio próximo, porém, também exige atenção aos cuidados com o gato. Afinal, algumas infecções podem ser transmitidas entre animais e seres humanos e, por isso, conhecer as principais zoonoses em gatos ajuda a proteger tanto o pet quanto as pessoas que vivem com ele.

Zoonoses em gatos: o que são e quais são as mais comuns

Zoonoses são doenças ou infecções que podem circular naturalmente entre animais e seres humanos. Embora nem toda doença presente em um gato seja uma zoonose, alguns agentes infecciosos podem chegar às pessoas por meio de arranhões, mordidas, fezes, secreções ou contato com ambientes contaminados. Entre as principais estão:

  • Esporotricose: causada por fungos do gênero Sporothrix, pode ser transmitida por arranhões ou mordidas de gatos infectados. A forma mais comum provoca lesões na pele, que podem evoluir e se espalhar pelo trajeto dos vasos linfáticos.
  • Raiva: é uma infecção viral que compromete o sistema nervoso e pode ser fatal. A transmissão ocorre principalmente pela saliva de animais infectados, em mordidas, arranhões ou contato com feridas e mucosas.
  • Toxoplasmose: causada pelo protozoário Toxoplasma gondii, geralmente não provoca sintomas em pessoas saudáveis. Uma das formas de transmissão envolve o contato com oocistos presentes nas fezes de gatos.
  • Sarna: algumas formas, como a sarcóptica, são provocadas por ácaros e podem passar temporariamente para seres humanos, causando coceira, vermelhidão e irritação na pele.
  • Toxocaríase: provocada por larvas de Toxocara cati, pode causar manifestações sistêmicas ou atingir pele e olhos. A infecção ocorre pela ingestão de ovos presentes em solo ou objetos contaminados por fezes.
  • Salmonelose: causada por bactérias do gênero Salmonella, pode levar à diarreia, dor abdominal, febre e vômitos. A transmissão está relacionada ao contato com fezes, ambientes ou alimentos contaminados.
  • Bartonelose: também conhecida como doença da arranhadura do gato, é causada pela bactéria Bartonella henselae. Os gatos podem adquirir a bactéria principalmente pela picada de pulgas contaminadas, por mordidas ou arranhões de animais infectados e, em alguns casos, por transfusão sanguínea.

Como reduzir o risco em casa

Embora as zoonoses em gatos tenham agentes e formas de transmissão diferentes, medidas simples de higiene e cuidados com o animal ajudam a diminuir os riscos. Algumas medidas importantes são:

  • Usar luvas ao lidar com terra e plantas e evitar contato com gatos que apresentem lesões suspeitas de esporotricose;
  • Na limpeza da caixa de areia, utilizar luvas e lavar as mãos depois. Gestantes e pessoas imunossuprimidas devem evitar essa tarefa;
  • Manter os gatos preferencialmente dentro de casa e oferecer ração ou alimentos cozidos;
  • Cozinhar bem carnes e lavar frutas e verduras, reduzindo o risco de toxoplasmose;
  • Higienizar camas, cobertores e outros locais de descanso dos gatos em casos de sarna;
  • Recolher rapidamente as fezes dos animais e manter caixas de areia cobertas quando não estiverem em uso;
  • Evitar oferecer alimentos crus aos animais sem orientação veterinária.

Também é importante não deixar o animal lamber feridas ou cortes e lavar imediatamente qualquer lesão provocada por mordida ou arranhão.

Por que o tratamento deve ser sempre orientado por um veterinário

O tratamento das zoonoses em gatos não segue uma única fórmula. Isso acontece porque cada doença tem um agente diferente, que pode ser um fungo, uma bactéria ou um parasita e, consequentemente, exige uma abordagem específica.

Por isso, o diagnóstico e a escolha dos medicamentos devem ser feitos pelo médico-veterinário. Quando o profissional identifica uma infecção bacteriana, por exemplo, o antibiótico para gato é escolhido conforme o diagnóstico, o que protege o animal, a família e a eficácia dos tratamentos no futuro.

Além disso, o especialista orienta quais medidas de higiene, isolamento e manejo são necessárias para reduzir a possibilidade de transmissão para a família.

A automedicação também pode trazer riscos. Medicamentos destinados a pessoas ou doses inadequadas podem ser tóxicos para os animais. Da mesma forma, o uso incorreto de antibióticos pode contribuir para a resistência antimicrobiana, tornando alguns tratamentos menos eficazes.

Afinal, cuidar da saúde do gato não significa apenas tratar o pet: também é uma forma de proteger quem convive com ele e contribuir para o controle de doenças na comunidade.