Engasgo: saiba reconhecer uma emergência e o que fazer para ajudar
Caso registrado em Barra do Corda (MA) mostra que situação pode evoluir rapidamente; especialistas explicam como prestar os primeiros socorros
Um almoço em família terminou de forma trágica no interior do Maranhão. Uma jovem identificada como Jéssica, moradora do povoado Santa Vitória, na zona rural do município de Barra do Corda, a cerca de 450km de São Luís, engasgou enquanto comia cuscuz. Familiares que estavam com ela perceberam a situação e tentaram prestar os primeiros socorros. A jovem chegou a ser levada para uma unidade de saúde, mas não resistiu.
O caso reforçou o alerta de que o engasgo é uma emergência que pode evoluir em poucos minutos. Quando alimento, líquido ou outro corpo estranho entra na via aérea, pode dificultar ou bloquear completamente a passagem do ar. Saber identificar os sinais e conhecer as primeiras medidas de socorro pode salvar vidas.
A enfermeira e professora do IDOMED São Luís, Erika Chaib, explica que o engasgo acontece quando alimento, líquido ou outro corpo estranho entra na via aérea e dificulta ou impede a passagem do ar. Em muitos casos, o próprio organismo reage com uma tosse forte para tentar expulsar o conteúdo. É justamente a capacidade de tossir, falar e respirar que ajuda a diferenciar um episódio menos grave de uma emergência.
“Quando a pessoa consegue tossir com força, geralmente estamos diante de uma obstrução parcial e devemos incentivá-la a continuar tossindo, sem deixá-la sozinha. Por outro lado, quando ela não consegue falar, respirar ou tossir de maneira eficaz, apresenta sinais de desespero, leva as mãos ao pescoço ou começa a ficar arroxeada, estamos diante de uma possível obstrução grave das vias aéreas”, alerta Erika.
A falta de oxigênio pode levar rapidamente à perda de consciência e evoluir para uma parada cardiorrespiratória. Diante de uma obstrução grave, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) deve ser acionado pelo telefone 192.
Como agir
Se um adulto engasgado estiver consciente, mas não conseguir falar, respirar ou tossir de forma eficaz, as manobras de socorro devem começar com cinco golpes firmes nas costas, entre as escápulas, mantendo a pessoa inclinada para a frente. Se o objeto não sair, devem ser feitas cinco compressões abdominais. As duas manobras são alternadas até que o objeto seja expelido.
A técnica muda de acordo com a idade e algumas condições físicas. Em bebês menores de um ano, não são realizadas compressões abdominais: alternam-se cinco golpes nas costas e cinco compressões torácicas. Em crianças maiores, podem ser utilizados golpes nas costas e compressões abdominais, com força proporcional ao tamanho. Nas gestantes em estágio avançado, ou em outras ocasiões em que não for possível envolver o abdômen da vítima com os braços, utilizam-se compressões torácicas.
O que não fazer
O susto pode levar quem está por perto a improvisar. Oferecer água, tentar empurrar o alimento com outra comida, sacudir a vítima ou colocar os dedos em sua garganta sem conseguir enxergar o objeto são manobras que, além de não ajudar, podem atrapalhar o socorro.
“A retirada manual só deve ocorrer quando o objeto está claramente visível e pode ser removido com segurança. Também não devemos bater de qualquer maneira nas costas. Os golpes precisam ser realizados corretamente, entre as escápulas e com a vítima inclinada para a frente”, destaca Erika.
Se a pessoa perder a consciência e não estiver respirando normalmente, deve ser colocada sobre uma superfície firme e a reanimação cardiopulmonar (RCP) deve ser iniciada enquanto o atendimento de emergência é aguardado.
Mesmo depois que o alimento é expelido, é preciso continuar a observar a vítima. Tosse persistente, falta de ar, chiado, dificuldade para engolir e dores na garganta, no peito ou no abdômen são sinais que justificam avaliação em um serviço de saúde. O mesmo cuidado é recomendado quando houve perda de consciência ou necessidade de compressões abdominais ou torácicas. “O fato de a pessoa ter voltado a respirar não significa, necessariamente, que todos os riscos foram eliminados”, reforça Erika.
