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SENAI-MA visa ampliar integração com indústria e atuação a partir de dados

Novas diretrizes aproximam educação profissional, tecnologia e inovação das demandas identificadas pelo setor produtivo

SÃO LUÍS – Antecipar as demandas por profissionais, identificar transformações nas cadeias produtivas e usar dados da indústria para definir cursos e soluções tecnológicas. Essas frentes passam a ocupar maior espaço na atuação do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial no Maranhão (SENAI-MA), dentro de novas diretrizes da instituição que buscam aproximar ainda mais a educação profissional, a tecnologia e a inovação das necessidades do setor produtivo.

Uma das mudanças prevê maior articulação do SENAI-MA com o Observatório da Indústria, da Federação das Indústrias do Estado do Maranhão (FIEMA). A proposta cria uma conexão entre a produção de informações sobre economia, emprego, profissões e investimentos e a definição das respostas que a instituição pode oferecer às indústrias.

Na prática, estudos sobre a abertura de uma indústria, a expansão de determinada cadeia produtiva ou a demanda por novas competências podem ajudar o SENAI-MA a planejar cursos, atualizar ofertas de formação profissional e estruturar soluções de tecnologia e inovação. O objetivo é reduzir o intervalo entre a identificação de uma necessidade da indústria e a preparação de trabalhadores ou o desenvolvimento de soluções para atendê-la.

Em decorrência dessa nova estratégia, Carlos Jorge Taborda, coordenador do Observatório da Indústria, assumiu a direção regional do SENAI-MA na semana passada, dia 17/09. A experiência de Carlos Jorge no Observatório cria um ponto de conexão com a nova diretriz. “Dados e informações sobre o setor produtivo serão usados como instrumento para orientar decisões e antecipar demandas”, disse o novo diretor regional.

Essa lógica amplia o papel do planejamento na educação profissional. Em vez de responder apenas à procura já existente por determinadas qualificações, a instituição vai usar estudos prospectivos para identificar quais profissionais a indústria deverá demandar, onde estarão essas oportunidades e quais competências serão exigidas.

FORMAÇÃO E TECNOLOGIA – A educação profissional permanece como um dos eixos da atuação do SENAI-MA, que mantém Centros de Educação Profissional e Tecnológica em São Luís, Bacabal, Balsas, Caxias, Imperatriz, Rosário e Açailândia, além de polos em Santa Inês e Timon. A rede combina qualificação profissional, consultorias tecnológicas e soluções de inovação. Em 2025, a instituição contabilizou 62.896 matrículas, das quais 10.168 foram gratuitas e destinadas a trabalhadores da indústria, seus dependentes e pessoas da comunidade.

Recentemente, o Hub SENAI de Inovação e Tecnologia, em São Luís, também passou a integrar essa estrutura de atendimento às demandas tecnológicas da indústria. A tecnologia e a inovação constituem outro ponto das novas diretrizes. O planejamento do SENAI-MA prevê ampliar a oferta de soluções nessa área, intensificar a colaboração da Rede SENAI de Inovação e Tecnologia, apoiar a transformação tecnológica ligada à neoindustrialização e mobilizar parceiros para responder às demandas das empresas.

A aproximação com os Observatórios da Indústria também pode contribuir nesse ponto. Ao identificar setores, empresas e cadeias produtivas com demandas por produtividade, transformação digital, qualificação ou desenvolvimento tecnológico, os estudos passam a funcionar como uma das referências para a atuação do SENAI em todo o país.

ANTES DA SALA DE AULA –O modelo também altera a forma de olhar para a formação profissional. Informações sobre investimentos previstos, expansão de empresas, mudanças tecnológicas e comportamento do mercado de trabalho podem subsidiar decisões sobre quais cursos oferecer e quais competências desenvolver.

O próprio SENAI já utiliza mecanismos para aproximar formação e mercado. Sua metodologia parte da definição dos perfis profissionais demandados pelo mundo do trabalho para estruturar currículos e itinerários formativos. O acompanhamento de egressos também fornece informações para adequar os programas à realidade das empresas.

A integração com o Observatório acrescenta a esse processo uma dimensão prospectiva: observar a indústria antes que a demanda se transforme em falta de mão de obra ou necessidade imediata de qualificação.

NOVA DIREÇÃO – O novo diretor do SENAI-MA, Carlos Jorge Taborda, é mestre em Contabilidade e Administração pela FUCAPE Business School, com MBA em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas, especialização em Sistemas de Informações Gerenciais e graduação em Administração de Empresas pela Universidade Federal do Pará (UFPA). Também atua como professor de cursos de graduação e pós-graduação nas áreas de Administração e Engenharia de Produção. Ele também já coordenou o Programa de Desenvolvimento de Fornecedores (PDF Maranhão), gerido pela FIEMA e grandes indústrias mantenedoras.

Antes de ingressar no Sistema FIEMA, Carlos Jorge trabalhou por 12 anos na Vale, com atuação nas áreas de Suprimentos, Segurança Empresarial e Relacionamento Institucional e com Comunidades. Na nova função, o desafio passa por transformar informação sobre a indústria em decisões sobre educação, tecnologia e inovação.