Maranhão abriu 275,6 mil empresas em cinco anos, mas quase 120 mil fecharam
Estado registrou 395,4 mil movimentações empresariais entre 2021 e 2025; número de aberturas cresceu 69,71 no período
O Maranhão abriu 275.693 novas empresas entre 2021 e 2025, enquanto 119.799 encerraram as atividades no mesmo período. Os números da Junta Comercial do Estado do Maranhão (Jucema) mostram que, embora o estado tenha mantido saldo positivo na criação de empresas, o número de fechamentos cresceu ao longo dos anos.
Somadas as aberturas e os fechamentos, foram 395.492 movimentações empresariais no período. As empresas abertas representam 69,71% desse total, enquanto os encerramentos correspondem a 30,29%. Em 2021, o Maranhão registrou 51.469 aberturas e 15.230 fechamentos. Em 2025, foram 65.986 novas empresas e 34.037 encerramentos.
Apesar do aumento dos encerramentos, o saldo permaneceu positivo em todos os anos. Em 2025, por exemplo, foram 31.949 empresas a mais abertas do que fechadas. Já entre janeiro e junho de 2026, o estado contabilizou 47.835 aberturas e 22.267 fechamentos, com saldo positivo de 25.568 empresas.
CAUSAS
Para o contador, educador financeiro e professor da Estácio, Rafael Fontenele, um dos principais fatores por trás do fechamento é a falta de preparação antes de iniciar o negócio. “Muitos pensam que fechar a empresa é uma questão de crise ou falta de sorte, mas, na verdade, o vilão é a falta de preparo antes de abrir a porta”, afirma.
Segundo o professor, muitos empreendedores começam um novo negócio por necessidade ou diante de uma oportunidade pontual, mas sem calcular a quantidade de vendas necessárias para manter a empresa funcionando. Esse cálculo envolve despesas como aluguel, energia, salários e impostos e ajuda a definir o ponto de equilíbrio, que é o valor mínimo de faturamento necessário para que o negócio consiga pagar suas contas.
O problema é especialmente relevante no comércio, setor que concentra grande quantidade de pequenos negócios. “A falta de planejamento pode fazer com que uma empresa tenha movimento e, mesmo assim, não consiga gerar lucro suficiente para sobreviver”, explica.
Outro fator apontado pelo professor é a falta de capital de giro, recurso utilizado para manter a empresa funcionando durante períodos de menor movimento. Segundo Fontenele, pelo menos um quinto das empresas fecha as portas por esse motivo, inclusive porque boa parte dos empresários só busca acesso ao crédito depois que o problema já se instalou. “O empresário procura financiamento apenas depois que o caixa já está comprometido. A busca por empréstimos costuma vir tarde demais”, constata.
FATURAMENTO X LUCRO
Um erro comum, segundo o professor, é confundir faturamento com lucro. O dinheiro que entra no caixa precisa ser utilizado para pagar fornecedores, funcionários, impostos e outras despesas antes de ser considerado resultado da empresa. “O empresário vê o dinheiro entrando no caixa e acha que aquilo tudo é lucro, e às vezes até mesmo utiliza recursos da empresa para pagar despesas pessoais”, afirma.
O poder de compra dos consumidores também é apontado como um desafio. “O desafio final continua sendo o bolso do cliente. O empresário precisa encontrar formas de oferecer preços competitivos sem comprometer a margem de lucro”, avalia. Fontenele explica que o preço de venda precisa considerar todos os custos da operação e a margem necessária para que o negócio seja sustentável. Vender muito, portanto, não significa necessariamente ter lucro.
Como evitar que o negócio feche?
Para aumentar as chances de sobrevivência, o professor recomenda profissionalizar a gestão desde os primeiros meses. A primeira medida é separar as finanças pessoais das empresariais e estabelecer um pró-labore, evitando retiradas aleatórias do caixa. “O dinheiro do caixa (CNPJ) não é para pagar a conta de luz da sua casa (CPF)”, orienta.
Outra recomendação é criar uma reserva financeira capaz de cobrir três a seis meses das despesas fixas antes de realizar grandes investimentos ou expansões. O contador também pode atuar como aliado na gestão. “O contador não serve só para gerar imposto a pagar. O profissional pode ajudar na gestão da empresa, identificando gastos excessivos, organizando as contas e encontrando alternativas para reduzir a carga tributária dentro da legislação”, enumera.
