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Estudo revela que até 12% dos casos de sinusite podem ter origem nos dentes

A sinusite é uma das condições mais comuns que levam à procura por atendimento médico, com um em cada oito adultos recebendo esse diagnóstico ao menos uma vez na vida, segundo estudo publicado na National Library of Medicine. Geralmente, a doença é associada a infecções respiratórias, mas também pode ter outra origem menos conhecida: os problemas dentários.

É o caso da chamada sinusite odontogênica, um tipo de inflamação que tem início na arcada dentária superior e pode se estender até o seio maxilar. Dados da Sociedade Portuguesa de Estomatologia e Medicina Dentária (SPEMD) apontam que esse quadro representa cerca de 10% a 12% dos casos de sinusite maxilar, sendo a cárie, a doença periodontal, os cistos odontogénicos e a iatrogenia as principais causas.

A explicação está na própria anatomia. Segundo a instituição, a proximidade entre as raízes dos dentes superiores posteriores e o seio maxilar, associada a essas condições, pode provocar inflamação e o desenvolvimento de uma sinusite odontogénica através de uma comunicação bucosinusal.

O otorrinolaringologista Renato Ponte destaca os sinais que levantam suspeita sobre esse tipo de sinusite, entre eles está o odor fétido nasal, ou seja, o mal cheiro no nariz, e a dor na face de um lado só. Esses sintomas mostram quando procurar um otorrinolaringologista.  

De acordo com o especialista, esta dor normalmente está associada a alguma manipulação dentária recente. É comum que o paciente relate ter passado por um procedimento semanas ou meses antes e, posteriormente, tenha começado a sentir dor na face no mesmo lado do dente tratado. “Essa é uma história muito típica, bem comum de quem tem uma sinusite odontogênica”, afirma.

O médico também chama atenção para a presença de dor no próprio dente associada ao desconforto facial, quadro que reforça a suspeita clínica. Outro sinal é a secreção nasal unilateral, que costuma coincidir com o lado da dor.

Além disso, Ponte destaca que o mau estado de conservação dentária pode ser um indicativo importante durante a avaliação. Inflamações na gengiva, como gengivites, também entram nesse contexto, já que estão em contato próximo com os seios da face.
Segundo o especialista, todos esses fatores ajudam a suspeitar desse diagnóstico.

Exames ajudam a confirmar o diagnóstico

A partir da suspeita clínica, a investigação segue com a análise do histórico do paciente e a solicitação de exames de imagem. Segundo Ponte, a tomografia computadorizada dos seios da face é o principal exame utilizado nesses casos.

De acordo com o especialista, o exame permite identificar a localização da sinusite e avaliar a presença de secreções, infecções associadas e até possíveis corpos estranhos no seio maxilar. As imagens também ajudam a verificar se há comprometimento de outras estruturas da face, o que contribui para definir a conduta mais adequada.

Além da tomografia, exames complementares podem ser solicitados. De acordo com a Rede D’Or São Luiz, a ressonância magnética dos seios da face ajuda a diagnosticar doenças como sinusite, pólipos nasais, tumores, cistos, inflamações, malformações congênitas e neuralgias, permitindo uma análise mais detalhada dos tecidos.

Em alguns casos, o contraste é utilizado na ressonância magnética para aprimorar a visualização das estruturas e auxiliar na investigação. A indicação, no entanto, depende da avaliação médica e das características de cada quadro.

Tratamento exige abordagem conjunta

O tratamento da sinusite odontogênica exige atuação integrada entre dentista e otorrinolaringologista. Segundo o otorrinolaringologista Renato Ponte, o ideal é que essa abordagem seja iniciada o mais cedo possível, já que a resolução do quadro depende da correção da causa dentária associada à infecção.

No atendimento odontológico, a prioridade é identificar a origem do problema. O especialista explica que, em alguns casos, pode haver a presença de uma fístula, uma comunicação entre o dente e o seio maxilar, que precisa ser fechada para interromper o processo inflamatório.

Além disso, procedimentos como tratamento de canal ou intervenções para controlar doenças periodontais, incluindo inflamações na gengiva, podem ser necessários para eliminar o foco infeccioso. 

Já do ponto de vista otorrinolaringológico, o manejo costuma incluir o uso de medicamentos, como antibióticos e corticoides, além de medidas de higiene nasal. Segundo o médico, na maioria dos casos, a combinação do tratamento clínico com a abordagem odontológica é suficiente para resolver o quadro.

No entanto, quando não há resposta às medicações, pode ser indicada intervenção cirúrgica. O procedimento consiste na abertura do seio maxilar para drenar e remover a secreção acumulada. De acordo com o especialista, essa secreção retida é o que caracteriza a sinusite e, ao ser eliminada, há melhora do quadro clínico.