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Simpósio debate inovação, gestão e segurança jurídica para fortalecer o agronegócio maranhense

Com o apoio do Sebrae, o evento reuniu produtores, empreendedores e especialistas para discutir os desafios da modernização no campo.

A porteira continua no mesmo lugar. O que mudou foi o que acontece do lado de fora dela. Hoje, produzir bem já não basta. O pequeno negócio rural também precisa entender de gestão, acessar novos mercados, acompanhar mudanças na legislação e incorporar tecnologia à rotina para continuar competitivo.

Esse foi o ponto de partida das discussões do I Simpósio Segurança Jurídica, Empreendedorismo e Transformações Tecnológicas no Agro, realizado nesta sexta-feira (24), em São Luís. Promovido pelo Instituto de Suporte ao Agro (INSUMO), em parceria com o Sebrae Maranhão, o encontro reuniu produtores rurais, empreendedores e especialistas para debater os desafios que acompanham a modernização do setor.

Na programação, o gestor estadual do Agronegócio do Sebrae Maranhão, Maurício Leite, apresentou a palestra “Abordagem estratégica do Sebrae Maranhão no segmento do agronegócio”, mostrando como a instituição atua para apoiar pequenos negócios rurais desde a estruturação da propriedade até a inserção em novos mercados.

Segundo ele, o papel do Sebrae é preparar o produtor para um ambiente que exige cada vez mais visão de negócio. “Nós somos uma instituição que tem um papel muito forte como indutor do empreendedorismo e da competitividade. No setor rural, também conseguimos trazer esse tema central de empreendedorismo e competitividade para esse público.”

Durante a apresentação, Maurício detalhou como acontece o acompanhamento oferecido pelo Sebrae, desde os critérios para atendimento dos produtores até soluções voltadas à gestão, inovação, acesso ao crédito e participação em feiras e eventos.

“Mostramos como é a nossa atuação no agronegócio, desde quem é o nosso público, quais são os critérios para atendimento, até os trabalhos de gestão dentro da propriedade, a parte de inovação, o Sebraetec, orientação para acesso ao crédito e participação em feiras agropecuárias. Também apresentamos os resultados de uma pesquisa que mostra que o faturamento dos negócios atendidos pelo Sebrae aumentou.”

O gestor também destacou que a preparação dos pequenos produtores passa pela qualificação contínua e pela aproximação com oportunidades de mercado.

“A gente trabalha com capacitação, consultorias implementadas para o produtor rural, focadas no desenvolvimento e na qualificação para elevar o nível de competitividade. Também promovemos conexões estratégicas entre profissionais e empresas para facilitar o acesso ao mercado e apoiamos os pequenos negócios diante das transformações tecnológicas, de mercado e de políticas públicas.”

Tecnologia amplia oportunidades de comercialização

Além das discussões sobre transformação digital, a programação do simpósio incluiu o workshop “Marketplace e o Agro”, ministrado pelo CEO do Shop do Agro, Ciro Thiago. Durante a atividade, ele apresentou ferramentas voltadas à ampliação do mercado para os pequenos produtores e mostrou como a tecnologia pode aproximar quem produz de quem compra.

Segundo Ciro, o Shop do Agro nasceu em 2018 com foco na compra e venda de animais e evoluiu para um ecossistema digital especializado no agronegócio. Atualmente, a plataforma reúne marketplace, lojas virtuais e consultorias para apoiar produtores na inserção de seus produtos no mercado digital.

“O Shop do Agro nasceu de uma necessidade real. Começamos com compra e venda de animais e, ao longo dos anos, ampliamos a plataforma para incluir maquinários, produtos, serviços e lojas oficiais. Hoje, além de funcionar como um marketplace, utilizamos uma metodologia com inteligência artificial e foco em acesso a mercados”, explicou.

Durante o workshop, o empresário ressaltou que um dos principais diferenciais da plataforma é o acompanhamento oferecido aos pequenos empreendedores rurais, que muitas vezes produzem com qualidade, mas encontram dificuldades para comercializar seus produtos além do mercado local.

“O pequeno produtor faz um produto de qualidade, mas muitas vezes não tem onde escoar essa produção. O Shop do Agro ajuda a inserir esse produto no mercado digital, rompendo barreiras para que ele deixe de vender apenas no mercado local e passe a alcançar consumidores em nível estadual e nacional. A inovação está justamente em conectar esse produtor a novos mercados”, destacou.

Segurança para investir e crescer

Ao lado da inovação, outro tema atravessou toda a programação do simpósio: a segurança jurídica. Regularização, novos marcos legais e um ambiente favorável aos negócios foram apontados como fatores decisivos para que produtores possam investir, acessar crédito e expandir suas atividades com mais confiança.

Para o presidente do Instituto de Suporte ao Agro (INSUMO), Émerson de Macêdo, a segurança jurídica é um dos pilares para que a transformação digital aconteça de forma responsável. À medida que os pequenos produtores ampliam seus mercados e incorporam novas tecnologias, também precisam conhecer as normas que regulam essa nova forma de fazer negócios.

“A escolha da segurança jurídica como um dos temas desse simpósio se dá em função da necessidade de que os empreendedores e os negócios tenham a orientação correta sobre como digitalizar a sua operação.”

O advogado explica que muitos empreendedores dominam a produção, mas esbarram na legislação quando expandem a comercialização.

“Muitas vezes o produtor inicia uma operação, mas, quando vai colocar isso à disposição de uma grande quantidade de pessoas, não tem noção da complexidade das normas e das regulamentações e acaba tendo problemas. A segurança jurídica entra como um pilar de alinhamento entre aquilo que o produtor faz, que é produzir, e a comercialização do produto.”

A discussão reforçou que preparar os pequenos negócios para o futuro do agro passa por diferentes caminhos, da gestão à tecnologia. Para Maurício Leite, o maior desafio agora é garantir que os produtores acompanhem essa evolução.

“A tecnologia está transformando o setor rural em vários pontos do Brasil. A adoção dessas ferramentas tecnológicas e a compreensão dos novos modelos de negócio são vitais para que o pequeno produtor maranhense não fique isolado”, conclui.