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Mais de 30% da orla de São Luís está imprópria para banho nas férias

Água contaminada e areia úmida podem causar infecções intestinais, problemas de pele, conjuntivite e otite

Em pleno período de férias, mais de 30% dos trechos monitorados das praias da Região Metropolitana de São Luís estão impróprios para banho. A informação consta no Laudo de Balneabilidade da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Naturais (Sema), divulgado no último dia 20 de julho. O monitoramento abrange 22 da orla da Grande Ilha, dos quais sete (31,8%) foram classificados como impróprios para banho por apresentarem elevados níveis de contaminação. 

O relatório é baseado em coletas realizadas entre 16 de junho e 14 de julho de 2026 e aponta como impróprios os trechos da Praia do Araçagy (em frente ao Bar Batatão), Praia do Calhau (em frente à faixa de areia da Ponta d’Areia, no fim da Avenida Litorânea), Praia de São Marcos (em frente ao Ipem e à Banca de Jornal), Praia do Olho d’Água (em frente à Barraca do Sargento e à foz do Rio Olho d’Água) e Praia do Boqueirão (em frente à foz do Rio Paciência).

O biólogo sanitarista, mestre em Ciências da Saúde, doutor em Biotecnologia e professor do IDOMED São Luís, Bismarck Ascar Sauaia, explica que a classificação da balneabilidade pode mudar rapidamente, especialmente após períodos de chuvas intensas. “Isso ocorre porque o aumento do volume de água favorece o carreamento de esgoto, resíduos e outros contaminantes para o mar, comprometendo a qualidade da água em trechos que antes eram considerados próprios para banho. Por isso, é fundamental consultar o laudo atualizado antes de entrar no mar”, orienta.

RISCOS

Segundo o especialista, o banho de mar em praias contaminadas praias impróprias pode causar uma série de problemas de saúde, como gastroenterites, com diarreia, vômitos e dores abdominais. Outros problemas enumerados pelo professor incluem conjuntivite, hepatite A, otite, micoses e infecções de pele. 

O alerta vale especialmente para crianças, que podem ser especialmente vulneráveis à contaminação, já que costumam engolir mais água durante o banho de mar, brincam por mais tempo na água e ainda possuem o sistema imunológico em desenvolvimento. Outros públicos de risco incluem idosos, gestantes e pessoas com imunidade reduzida.

Engana-se, ainda, quem pensa que o problema está apenas no banho de mar em si. A areia úmida também pode abrigar fungos, bactérias e parasitas. “Feridas e pequenos arranhões facilitam a entrada desses microrganismos no organismo. Permanecer por muito tempo com roupas de banho molhadas também favorece a proliferação de fungos”, alerta Bismarck.

SINAIS DE ALERTA

Caso tenha havido contato com algum dos trechos impróprios, é preciso observar sintomas como diarreia persistente, náuseas, vômitos, febre, dor abdominal, olhos avermelhados, dor de ouvido, coceira ou feridas na pele.

O atendimento médico deve ser procurado em casos de febre alta, diarreia intensa ou com sangue, desidratação, vômitos persistentes e lesões com pus ou que aumentem rapidamente. “Sintomas que permaneçam por mais de dois ou três dias também precisam ser avaliados”, completa o especialista. 

Além de consultar o boletim de balneabilidade e evitar os pontos contaminados, outra orientação importante é evitar entrar no mar logo após chuvas fortes. “Também é importante evitar engolir água, trocar a roupa de banho molhada, tomar banho com água e sabão após sair da praia, secar bem os pés e as dobras do corpo, não caminhar descalço em locais com lixo ou esgoto e evitar entrar no mar se estiver com alguma ferida no corpo. Essas são medidas simples, mas que podem prevenir doenças”, recomenda o professor.