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Voltar a estudar cabe no orçamento? Veja como planejar

Segundo o IBGE, pelo menos 7,7 milhões de pessoas de 14 a 29 anos não completaram o ensino médio ou nunca chegaram a frequentar a escola (dados da PNAD Contínua, divulgados em junho de 2026). 

Em 43% dos casos, o motivo apontado foi a necessidade de trabalhar; entre os homens, esse percentual chega a 54,2%.

Para quem interrompeu os estudos por causa do trabalho e agora reúne condições de recomeçar, o dinheiro costuma voltar a ser o obstáculo, dessa vez na forma de mensalidade, matrícula e material.

Este guia reúne o que vale considerar em cada etapa, do custo real da formação até as formas de financiamento disponíveis hoje.

Por que investir nos estudos ainda é uma das melhores decisões

A trajetória de quem trabalha com carteira assinada costuma depender de um fator que pesa mais do que o tempo de casa: a qualificação.

Um curso técnico ou uma graduação nova abre a porta para cargos que exigem formação específica, muitas vezes com salário maior ou um plano de carreira mais rápido dentro da própria empresa.

Voltar a estudar também é o caminho mais direto para migrar de área. Quem atua no operacional de uma fábrica, por exemplo, pode usar um curso técnico para mudar de função ou de setor, abrindo portas em áreas com mais demanda no mercado.

Antes de entrar na conta de quanto custa estudar, vale lembrar que esse é um investimento com retorno mensurável: em geral, quanto mais especializada a formação, maior tende a ser a diferença salarial ao longo da carreira.

É esse retorno que justifica planejar o orçamento em vez de descartar a ideia só porque parece cara à primeira vista.

Quanto custa uma graduação ou curso técnico

O custo de estudar vai além da mensalidade. Antes de escolher o curso, vale conferir o gasto total, porque alguns itens passam despercebidos e pesam no fim do mês.

Na prática, o custo real soma pelo menos cinco itens:

  • Mensalidade: o gasto fixo mensal com o curso
  • Taxa de matrícula: cobrada no início de cada semestre ou ano
  • Material didático: como livros, apostilas e softwares
  • Transporte até a instituição: no caso dos cursos presenciais
  • Tempo dedicado aos estudos: que reduz as horas disponíveis para trabalhar

Entre esses itens, a mensalidade costuma ser o maior, e ela depende muito da modalidade do curso:

  • Presencial: aulas na instituição, com dias e horários fixos
  • Semipresencial: mistura aulas online e encontros presenciais
  • Ensino a distância (EAD): aulas online, com mais flexibilidade de horário
  • Curso técnico: formação mais curta e voltada direto ao mercado de trabalho

O peso de cada modalidade no bolso aparece nos valores. A tabela abaixo traz a mediana das mensalidades de graduação em 2026, ou seja, o preço que fica no meio da lista, já com os descontos que as instituições costumam dar:

Os números são do estudo da consultoria Hoper Educação em parceria com a Associação Brasileira de Mantenedoras do Ensino Superior (Abmes), divulgado em maio de 2026 com base em cerca de 80% dos cursos do país.

Dentro de cada modalidade, o preço ainda varia conforme o curso. No presencial, os mais procurados são direito, psicologia e enfermagem, todos perto da mediana. No EAD, quem concentra a maior parte das matrículas é pedagogia, administração e educação física.

Os extremos ficam por conta de dois cursos. A engenharia sai por volta de R$ 967 no presencial e R$ 370 no EAD. Já a medicina, oferecida só na modalidade presencial, tem mediana de R$ 11.415 e pode passar de R$ 15.700.

Para os cursos técnicos, não existe um levantamento nacional de preços tão consolidado quanto o do ensino superior, e os valores mudam muito por área e por região. Nesse caso, o caminho mais seguro é pedir o valor direto na instituição antes de decidir.

Antes de fechar a matrícula, vale somar o custo total até a formatura e comparar com o retorno esperado na carreira. Um curso mais caro pode compensar se abrir portas para salários melhores, mas essa conta precisa caber no seu orçamento.

Formas de pagar os estudos: bolsas, financiamento estudantil e crédito

Com o custo total do curso mapeado, falta decidir como bancar essa conta. Antes de recorrer a crédito, vale mapear as opções que reduzem ou parcelam o valor sem juros:

  • ProUni: o Programa Universidade para Todos oferece bolsas parciais ou integrais em instituições privadas para quem se encaixa nos critérios de renda e desempenho no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
  • Fies: o Fundo de Financiamento Estudantil financia o curso a juros reduzidos, com pagamento que só começa depois da formatura.
  • Bolsas e descontos da própria instituição: muitas faculdades e escolas técnicas oferecem bolsas próprias, descontos por pontualidade no pagamento ou parcelamento direto da mensalidade sem juros.

Atenção: Vale sempre perguntar sobre essas condições antes de assinar a matrícula, porque nem sempre elas aparecem no site.

Quando nenhuma dessas opções cobre o valor necessário, ou quando o curso está fora do perfil do ProUni e do Fies, o crédito pessoal entra como alternativa para fechar a conta. Isso costuma acontecer com boa parte dos cursos técnicos e das pós-graduações.

Nesse caso, a modalidade de crédito escolhida faz toda a diferença no custo final do curso, tema do próximo tópico.

Como arcar com custos de matrícula e materiais

Vale separar dois tipos de gasto antes de pensar em crédito. A mensalidade é um custo que se repete todo mês, enquanto a matrícula e o material são custos pontuais, concentrados no início do curso.

Essa diferença muda a estratégia. A mensalidade precisa caber no orçamento do mês ou ser coberta por bolsa e financiamento estudantil, como vimos no tópico anterior.

Tomar um empréstimo a cada mês só para pagar a mensalidade não é uma boa saída. Isso consumiria a margem disponível e ainda poderia criar uma dívida sem fim.

O crédito faz mais sentido para os custos pontuais de entrada, como a matrícula e o material didático. Como esses gastos aparecem de uma vez e têm valor previsível, dá para planejar o pagamento com antecedência.

Para o trabalhador de carteira assinada, uma opção nesse caso é o Consignado CLT, que tem juros mais acessíveis e desconta da folha de pagamento. Mas, antes de contratar, vale olhar duas variáveis:

  • Valor da parcela: quanto vai sair do seu orçamento por mês
  • Prazo do contrato: em quantos meses a dívida será quitada

Com esses dois números em mãos, fica mais fácil dimensionar o empréstimo para o tamanho real do gasto de entrada, sem comprometer o mês.

Vale ainda comparar as taxas. Por exemplo, o Consignado CLT da meutudo tem juros a partir de 1,99%* ao mês, o equivalente a cerca de 26,7% ao ano.

Já a taxa média cobrada pelo mercado nessa modalidade estava em 3,79% ao mês em abril de 2026, algo em torno de 56,3% ao ano, segundo dados do Banco Central (Sistema Gerenciador de Séries Temporais, SGS, série 25466, consignado privado).

*Valor condizente com a data em que este conteúdo foi publicado.

Erros que fazem o investimento nos estudos sair mais caro

Alguns deslizes comuns ainda podem encarecer todo o investimento nos estudos, mesmo escolhendo a modalidade de crédito mais barata:

  • Escolher o curso só pelo preço: sem checar a qualidade da instituição, a empregabilidade dos formados e o reconhecimento do diploma no mercado, um curso barato mas pouco valorizado pode significar meses de mensalidade paga sem retorno no salário.
  • Parcelar tudo no cartão de crédito: os juros do cartão costumam ser os mais altos entre as opções vistas até aqui, o que pode dobrar o valor final pago pelo curso e fazer o rombo no orçamento crescer mês após mês.
  • Abandonar o curso no meio do caminho: é o erro mais caro de todos, porque além de perder o valor já investido em mensalidades, quem desiste não chega ao diploma que justificaria esse esforço financeiro.

É importante considerar, antes da matrícula, se a rotina permite terminar o curso no prazo planejado, para que o investimento realmente se converta em qualificação e, com ela, em um salário melhor.