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Maranhão gera quase 2 mil empregos formais e amplia oportunidades para quem busca o primeiro emprego

Ajustar o currículo no computador e ensaiar as respostas para uma entrevista de emprego diante do espelho virou a rotina diária de Lucas de Sousa,19. Morador de um bairro na periferia de São Luís, ele faz parte de uma estatística que, felizmente, tem jogado a favor de quem está no início da trajetória profissional. Com o ensino médio recém-concluído, Lucas está em busca de seu primeiro emprego com carteira assinada. 

E o momento não poderia ser mais propício. Os dados mais recentes do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged) revelam que o mercado de trabalho no Maranhão segue aquecido: o estado gerou 1.955 novos empregos formais só no mês de maio de 2026. Desse total, a capital, São Luís, consolidou-se como o grande motor dessa engrenagem, respondendo por 1.293 vagas, ou cerca de dois terços de todas as novas contratações registradas no estado. Os jovens entre 18 e 24 anos são justamente os que lideram as admissões, somando 1.856 novos trabalhadores no mercado. 

Outro dado do levantamento aponta para um protagonismo feminino no mercado maranhense: as mulheres detém 1.255 das novas vagas, superando a contratação de homens no período. Foi justamente nesse cenário de expansão que Beatriz Mendes, de 21 anos, encontrou seu espaço. Após meses distribuindo currículos, ela foi contratada como auxiliar de atendimento em uma empresa de logística em São Luís. 

“Eu não tinha nenhuma experiência anterior registrada na carteira, mas usei o que aprendi em um projeto de voluntariado da minha igreja e em um curso de informática para mostrar que tinha facilidade para lidar com pessoas e organização”, conta Beatriz. “Na entrevista, foquei na minha vontade de aprender. Deu certo”, comemora.

A vaga de Beatriz reflete as três grandes forças que impulsionaram o mercado de trabalho local: os setores de Serviços, Construção Civil e Comércio. São vagas que se concentram principalmente em funções de apoio operacional, como atendimento ao cliente, vendas, operador de caixa, auxiliar administrativo e logística.

RECRUTADORES

Para quem olha os números positivos e ainda se sente inseguro diante da falta de experiência, a docente do curso de administração da Estácio, Camila Bittencourt, avalia que o mercado maranhense tem estado receptivo à entrada de novos profissionais, ainda que sem experiência prévia. Segundo ela, o mercado está de portas abertas, mas exige preparação. “Essas oportunidades tendem a ser ocupadas por quem consegue demonstrar seu potencial logo no primeiro contato”, explica a especialista.

Camila desmistifica a ideia de que não ter trabalhado antes é uma barreira intransponível. Segundo ela, na busca pelo primeiro emprego, os programas de estágio e ou de Jovem Aprendiz continuam sendo as melhores portas de entrada, e o comportamento do candidato costuma pesar mais do que um currículo extenso.

“Hoje, muitas empresas contratam mais pela atitude do que pela experiência. Elas nem sempre procuram alguém que já saiba fazer tudo no primeiro dia, mas sim pessoas com responsabilidade, iniciativa, comprometimento e disposição para crescer”, destaca a professora.

Com a carteira de trabalho digital já instalada no celular, Lucas de Sousa segue otimista, agora ajustando suas táticas com base nos conselhos profissionais. “Saber que o mercado aqui em São Luís está contratando jovens como eu me dá um gás extra. Agora é continuar me preparando para que, na próxima vaga de serviços que abrir, a carteira assinada seja a minha”, projeta o jovem.

Cinco dicas para conquistar o primeiro emprego

Para transformar a busca em contratação, Camila Bittencourt reuniu orientações essenciais para quem deseja se destacar nos processos seletivos:

  • Valorize o que você já fez: Se você não tem experiência formal, use o currículo para destacar cursos de qualificação, conhecimentos em informática, idiomas, participação em projetos acadêmicos e trabalhos voluntários. Tudo isso desenvolve competências valorizadas pelas empresas.
  • Mostre o que você pode agregar: Um erro comum de quem está começando é focar apenas na própria necessidade financeira. “O candidato não deve dizer apenas que ‘precisa trabalhar’. As empresas querem entender o que ele pode somar ao time e como pretende evoluir”, orienta Camila.
  • Atenção aos detalhes no processo: Pontualidade, boa comunicação, postura profissional e pesquisar sobre a empresa antes da entrevista são diferenciais que chamam a atenção de forma positiva.
  • Fuja dos erros comuns: Currículos desatualizados, erros de português, falta de preparo para as perguntas da entrevista e até comportamentos inadequados nas redes sociais são fatores que costumam eliminar candidatos logo na primeira fase.
  • Diversifique os canais de busca: Não se limite a entregar currículos de papel. Monitore plataformas digitais de emprego, busque programas oficiais de Jovem Aprendiz e mantenha redes de contatos ativas, como perfis em redes sociais voltadas para o mercado de trabalho.