Dia Internacional do Cooperativismo: Sicredi anuncia crescimento de 24% no Maranhão
O crescimento do cooperativismo de crédito no Maranhão ganha novos números neste Dia Internacional do Cooperativismo, celebrado no primeiro sábado de julho. A primeira instituição financeira cooperativa do Brasil registrou expansão de 23,7% em seus ativos no estado em um ano, que alcançaram R$ 379,4 milhões. No mesmo período, a base de associados cresceu 16,5%, chegando a 9,1 mil cooperados.
Os indicadores acompanham o avanço do cooperativismo de crédito em diferentes regiões do país e refletem um modelo que reúne serviços financeiros tradicionais com uma forma distinta de organização. Diferentemente dos bancos convencionais, quem utiliza os serviços também participa das decisões e dos resultados obtidos ao longo do exercício.
Na prática, isso significa que parte dos recursos gerados pela atividade financeira retorna aos próprios associados na forma das chamadas ‘sobras’, distribuídas proporcionalmente ao relacionamento de cada cooperado com a instituição após aprovação em assembleia. Além disso, os associados também recebem remuneração sobre o capital investido na cooperativa.
Segundo Cleber Zequetto, Gerente de Desenvolvimento do Cooperativismo da Central Sicredi Nordeste, esse é um dos principais diferenciais do modelo cooperativista. “O associado deixa de ser apenas um cliente. Ele participa da cooperativa, ajuda a definir seus rumos e também recebe parte dos resultados gerados. É um modelo em que todos crescem juntos, porque o desenvolvimento da instituição volta para quem faz parte dela”, afirma.
Outra característica apontada pelo Sicredi está nas condições oferecidas para operações financeiras. Em média, as taxas de juros em linhas de crédito comercial e pessoal praticadas por cooperativas ficam entre 20% e 35% abaixo da média observada nos grandes bancos. Nacionalmente, esse diferencial representa um impacto econômico estimado em mais de R$ 48 bilhões por ano.
Para Cleber Zequetto, a lógica do cooperativismo faz com que o objetivo da instituição vá além da geração de lucro. “Quando uma cooperativa consegue oferecer crédito em condições mais acessíveis, ela fortalece famílias, empreendedores e produtores locais. Esse dinheiro continua circulando na própria região e acaba impulsionando novos negócios e oportunidades”, explica.
Estudos da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE) apontam efeitos desse modelo nos municípios onde há atuação de cooperativas de crédito. O levantamento identificou aumento médio de 5,6% no Produto Interno Bruto (PIB) per capita dessas cidades, crescimento de 6,2% no emprego formal e expansão de 15,7% no número de estabelecimentos comerciais ao longo do tempo. O estudo também aponta incremento médio de R$ 3.852 no PIB por habitante e redução de aproximadamente 24,8 famílias dependentes de programas de transferência de renda para cada mil habitantes.
Além da movimentação econômica, o cooperativismo também se diferencia pela forma de governança. Independentemente do valor investido, cada associado possui direito a um voto nas assembleias que definem os rumos da instituição. O princípio de “um membro, um voto” garante que as decisões sejam tomadas de forma democrática, sem concentração de poder entre os cooperados com maior participação financeira.
Cooperativismo ainda busca ampliar conhecimento do público
Apesar do crescimento registrado nos últimos anos, ampliar o conhecimento da população sobre esse modelo ainda é um dos desafios apontados pelo setor. Com esse objetivo, as cooperativas do Sicredi na região Nordeste lançaram uma campanha para aproximar a marca dos moradores da região, apresentando como funciona o cooperativismo de crédito, seus diferenciais e o impacto gerado nas comunidades onde atua.
Segundo Cleber Zequetto, muitas pessoas ainda desconhecem que elas oferecem praticamente o mesmo portfólio de produtos e serviços encontrados em instituições bancárias tradicionais. “Hoje o associado encontra conta corrente, cartões, investimentos, seguros, financiamentos e crédito para pessoas físicas e empresas. A diferença é que toda essa movimentação acontece dentro de um modelo em que ele participa das decisões e ajuda a fortalecer a economia da própria comunidade”, afirma.
Outro aspecto destacado pela instituição é a presença física em municípios de diferentes portes. Enquanto parte do sistema financeiro concentra sua atuação em grandes centros urbanos, o cooperativismo busca ampliar a inclusão financeira por meio da abertura de agências também em cidades menores, aproximando o atendimento e facilitando o acesso da população aos serviços financeiros.
“Cada operação realizada dentro da cooperativa tem um efeito que vai além da relação financeira entre instituição e associado. Os recursos captados são reinvestidos na própria região, financiando produtores, pequenos empresários e iniciativas locais. Esse ciclo fortalece a economia onde as pessoas vivem e trabalham”, conclui Cleber Zequetto.
