Obesidade na terceira idade pode acelerar perda de autonomia e aumentar risco de quedas, alerta médico
Especialista explica por que o excesso de peso após os 60 anos vai além da estética e pode comprometer mobilidade, força muscular e qualidade de vida
O envelhecimento da população brasileira vem acompanhado de outro fenômeno crescente: o aumento dos casos de obesidade na terceira idade. Mais do que um fator estético, o excesso de peso após os 60 anos tem sido associado à perda de massa muscular, redução da mobilidade, maior risco de quedas e perda de independência funcional, quadro conhecido como obesidade sarcopênica.
A condição ocorre quando o aumento de gordura corporal é acompanhado pela diminuição da massa e da força muscular, afetando diretamente a capacidade do idoso de realizar atividades simples do dia a dia, como caminhar, subir escadas, carregar objetos ou levantar da cama.
Segundo o médico clínico Igor Viana, o principal alerta é que muitos idosos acreditam que o ganho de peso faz parte natural do envelhecimento, quando, na verdade, pode representar um importante risco à saúde e à qualidade de vida.
“Na terceira idade, o maior risco da obesidade não é apenas o peso na balança, mas a perda de autonomia. Muitos idosos deixam de caminhar bem, têm dificuldade para realizar tarefas simples e passam a depender mais da família porque perderam força muscular junto com o aumento da gordura corporal”, explica.
Estudos recentes reforçam esse cenário. Pesquisas internacionais apontam que a obesidade sarcopênica está relacionada ao aumento da fragilidade física, pior qualidade de vida, mais hospitalizações e maior incidência de quedas em idosos. Especialistas também alertam que o sedentarismo e a alimentação inadequada aceleram o processo de perda muscular ao longo do envelhecimento.
De acordo com Igor Viana, o cuidado com a saúde na terceira idade deve ir além do emagrecimento isolado.
“Hoje, o foco não deve ser apenas perder peso, mas preservar músculo, mobilidade e independência. O idoso precisa envelhecer com capacidade funcional, mantendo força para continuar ativo e ter qualidade de vida”, afirma.
O médico destaca que hábitos simples podem ajudar na prevenção e no controle da obesidade na terceira idade, como alimentação equilibrada, consumo adequado de proteínas, prática regular de atividade física, especialmente exercícios de força, sono de qualidade e acompanhamento médico periódico.
Outro ponto de atenção envolve o uso indiscriminado de medicamentos para emagrecimento, incluindo as chamadas “canetas emagrecedoras”. Segundo o especialista, embora possam ter indicação em alguns casos, idosos precisam de avaliação criteriosa para evitar perda muscular acelerada e complicações clínicas.
“Quando o emagrecimento acontece sem acompanhamento adequado, o idoso pode perder músculo junto com gordura. Isso aumenta a fraqueza, o risco de quedas e comprometimento funcional. Por isso, o tratamento precisa ser individualizado”, ressalta.
Para Igor Viana, falar sobre obesidade na terceira idade é também discutir longevidade saudável e envelhecimento ativo.
“Viver mais é importante, mas viver melhor é essencial. O objetivo é chegar à terceira idade com autonomia, disposição e capacidade de aproveitar a vida com saúde”, finaliza.
Caso tenha interesse na pauta estou à disposição para fazer a ponte de entrevista com o especialista (perfil abaixo):
Igor Viana
Especialista em Clínica Médica, com atuação em endocrinologia e metabologia (CRM 229364 | RQE 144806). Trabalha na prevenção, diagnóstico e manejo de doenças metabólicas, com foco na promoção da saúde, alimentação equilibrada e longevidade.
