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TJMA destaca ancestralidade e valorização das trancistas em comunidade quilombola

O Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA), por meio da parceria entre o Programa Nacional dos Comitês de Cultura no Maranhão e o Comitê de Diversidade, participou, na terça-feira (5/5), do evento “Caminhos da Equidade: Políticas Raciais e o Saber Ancestral das Trancistas”, realizado na Comunidade Quilombola de Bom Jesus dos Pretos, no município de Cândido Mendes.

A programação reuniu cerca de 80 participantes, entre moradores da comunidade, estudantes e convidados(as), promovendo reflexões sobre equidade racial, valorização da cultura afro-brasileira e fortalecimento dos saberes ancestrais relacionados à arte das tranças. Também participaram estudantes do curso de Direito da UNIFACAM.

Durante o evento, a juíza colaboradora do Comitê de Diversidade do TJMA, Luana Santana, ministrou a palestra “Políticas Raciais e o Saber Ancestral das Trancistas”. A magistrada abordou o papel histórico e cultural das tranças afro como expressão de identidade, resistência e memória ancestral da população negra.

Mulher de vestido preto segura um microfone enquanto ministra palestra em frente a uma tela de projeção. O slide exibido aborda o tema ¿Cartografia da Sobrevivência¿, relacionando tranças afro e rotas para quilombos. Ao lado da palestrante, um jovem está sentado próximo à mesa de som. O ambiente é simples, com elementos comunitários e decoração cultural ao fundo.

A apresentação destacou aspectos históricos ligados à tradição africana das tranças, contextualizando o papel das mulheres negras como guardiãs da memória e da ancestralidade. A magistrada também evidenciou a utilização das tranças, durante o período colonial, como instrumentos de comunicação e estratégias de sobrevivência, incluindo referências às rotas de fuga para quilombos e à preservação de sementes e conhecimentos tradicionais.

A palestra promoveu reflexões sobre o racismo estrutural e os impactos históricos da estigmatização do cabelo afro, ressaltando a valorização da estética negra, do afroempreendedorismo e do reconhecimento cultural das práticas ancestrais das trancistas.

Além da palestra, foi realizada uma oficina profissionalizante para trancistas, ministrada por Ana Neide Martins. A atividade contou com 16 participantes e ofereceu formação prática com certificação, incentivando geração de renda, autonomia financeira e valorização profissional das mulheres da comunidade.

Sala de aula iluminada, com paredes em tons claros e janelas amplas ao fundo. Cerca de 20 mulheres participam de uma oficina para trancistas, sentadas em carteiras escolares azuis. Algumas seguram cabeças de manequim utilizadas para treinamento de penteados e tranças. Ao centro, uma mulher de camisa laranja registra o momento com o celular. O ambiente transmite atenção e aprendizado coletivo.

A iniciativa integrou debates sobre diversidade, direitos humanos, inclusão social e fortalecimento das políticas de equidade racial, reafirmando o compromisso institucional com a promoção da cidadania e do respeito às comunidades tradicionais do Maranhão.