MEI impulsiona entrada de trabalhadores autônomos no mercado formal e amplia oportunidades de renda no Maranhão
Formalização como Microempreendedor Individual garante acesso a benefícios, crédito e mais segurança para quem deseja crescer no próprio negócio.
Transformar uma habilidade em fonte de renda e conquistar mais estabilidade financeira tem levado milhares de brasileiros a buscar a formalização como Microempreendedor Individual (MEI). Com apoio de instituições como o Sebrae, trabalhadores autônomos encontram no modelo uma porta de entrada para o mercado formal, com acesso a direitos, crédito e novas oportunidades de crescimento. No Maranhão, esse movimento segue em expansão: o estado conta com 144.407 Microempreendedores Individuais ativos, segundo dados do Sebrae.
Entre os segmentos que mais impulsionam esse crescimento no estado estão Logística e Transporte, com saldo de 895 novos MEIs em 2026, seguido por Saúde e Bem-Estar (570), Casa e Construção (488) e Supermercados e Atacadistas (461).
Empreendedorismo como oportunidadePor trás desses números estão histórias de empreendedores que encontraram no MEI uma oportunidade de potencializar talento em negócio. Foi assim com Pedro Britto, que transformou o sonho de ter a própria hamburgueria em fonte de renda. Em janeiro de 2021, ele começou a trajetória da The Brittu’s Burguer de forma simples, na garagem da casa da mãe, com apenas uma chapa de ferro e preparando os hambúrgueres no próprio fogão.
O que começou como uma tentativa modesta de empreender logo se tornou um motor financeiro. Após uma pausa em 2021, por conta da gravidez da esposa, Pedro retomou o negócio em abril de 2022 e segue até hoje enfrentando os desafios do empreendedorismo e ampliando a hamburgueria.
Desde o início, Pedro já entendia que a formalização seria parte essencial do crescimento da The Brittu’s Burguer. Por isso, optou por iniciar o negócio já como Microempreendedor Individual (MEI), enxergando no modelo não apenas uma exigência burocrática, mas uma estratégia para garantir mais segurança e possibilidades de expansão.
“Quando eu comecei, já sabia da importância de ser MEI, principalmente pelos benefícios, como poder contratar uma pessoa, pensar na aposentadoria e também pela possibilidade de emitir nota fiscal. Isso ajuda porque, quando a empresa cresce, a gente consegue vender para outras empresas e trabalhar com mais segurança”, relata Pedro.
Mais segurança e planejamento
Segundo a analista técnica do Sebrae, Marise Abdalla, a formalização como MEI vai muito além da obtenção do CNPJ e representa um passo importante para quem deseja crescer com mais segurança e profissionalização, já que o CNPJ funciona como a “certidão de nascimento” do negócio.
No entanto, os benefícios vão além, começando pela proteção previdenciária. O microempreendedor passa a contribuir com apenas 5% do salário mínimo para o INSS e garante acesso a direitos como aposentadoria, auxílio-doença, salário-maternidade, pensão por morte e aposentadoria por invalidez.
“O MEI passa a ter proteção previdenciária com uma contribuição reduzida e isso traz segurança para o empreendedor. Além disso, ele conquista cidadania empresarial, com acesso a crédito facilitado, serviços bancários como pessoa jurídica e a possibilidade de emitir nota fiscal, o que amplia muito as oportunidades de negócio”, destaca.
A formalização também facilita o acesso a crédito e permite investimentos importantes para o crescimento da empresa, como compra de equipamentos, reforma do espaço e reforço no estoque. Outro diferencial é a possibilidade de vender para empresas, prefeituras e participar de licitações, situações em que a emissão de nota fiscal se torna indispensável.
“A carga tributária simplificada também ajuda a reduzir o receio de quem ainda permanece na informalidade. O pagamento é feito por meio de uma única guia mensal, o DAS, com valores acessíveis e sem a obrigatoriedade de contratação de contador”, reforça Marise.
O MEI também pode contratar um funcionário registrado, participar de feiras, programas de compras públicas e acessar capacitações oferecidas pelo Sebrae, como cursos, consultorias e o projeto Avança MEI.
“Quando o empreendedor se formaliza, ele passa a ter mais credibilidade no mercado, consegue comprar direto de fornecedores, acessar novas oportunidades e profissionalizar a gestão do negócio. Sair da informalidade é um passo importante para construir uma empresa mais forte e sustentável”, explica.
Criado para simplificar a regularização de pequenos negócios, o MEI permite que profissionais que atuam por conta própria — como vendedores, confeiteiros, cabeleireiros, artesãos, prestadores de serviço e diversos outros — contribuam para a Previdência Social com uma carga tributária reduzida.
Somente em 2025, o Maranhão registrou a abertura de 43.009 novos MEIs e o encerramento de 22.713, resultando em um saldo positivo de 20.296 empresas. Já nos dois primeiros meses de 2026, foram 9.531 aberturas e 4.099 encerramentos, com saldo de 5.432 novos microempreendedores formalizados, de acordo com dados do Sebrae Maranhão.
Da informalidade ao crescimento
Mesmo tendo iniciado a trajetória da The Brittu’s Burguer já como MEI, Pedro Britto enfrentou desafios comuns de quem está começando a empreender, principalmente na organização financeira e na gestão do negócio. No início, a dificuldade em definir a precificação correta dos hambúrgueres e a falta de conhecimento sobre controle financeiro faziam com que o negócio operasse no vermelho e sem uma visão clara dos resultados.
Com o o apoio do Sebrae, ele passou a enxergar a hamburgueria de forma mais estratégica. A participação em iniciativas como a Expo MEI, o projeto Avança MEI e consultorias especializadas ajudaram a melhorar processos internos, reduzir perdas, organizar a gestão financeira e fortalecer a marca, que agora passa por um processo de reposicionamento.
“No início, a maior dificuldade era a parte financeira. A gente não sabia fazer a precificação certa, não conseguia enxergar o dinheiro das vendas e isso atrapalhava bastante. Com o tempo e com o apoio do Sebrae, fomos melhorando a gestão, organizando os processos e hoje já conseguimos caminhar no azul, sempre crescendo mais. Participar do Avança MEI e das consultorias ajudou muito nesse processo”, afirma Pedro.
A experiência de Pedro mostra que, além da formalização, empreender exige conhecimento sobre gestão, planejamento e organização financeira — desafios comuns para quem está começando.
Nesse processo, buscar orientação especializada pode fazer diferença. Antes mesmo da abertura da empresa, o empreendedor precisa entender a viabilidade do negócio, escolher corretamente a atividade que vai exercer e planejar como irá atuar no mercado.
Marise Abdalla explica que esse acompanhamento ajuda o empreendedor a evitar erros comuns e a conduzir o negócio com mais segurança.
“O Sebrae orienta desde antes da abertura, ajudando no planejamento e na análise da viabilidade do negócio, até o momento da formalização e depois dela. Nós explicamos sobre documentação, nota fiscal, declaração anual, alvará de funcionamento e também alertamos sobre os canais oficiais para evitar golpes e cobranças indevidas”, afirma a analista.
Ela destaca que muitos empreendedores ainda permanecem na informalidade por falta de informação ou receio da burocracia, mas o processo pode ser mais simples do que parece.
Além da formalização, existem capacitações, consultorias e programas voltados ao fortalecimento desses pequenos negócios, ajudando o empreendedor a melhorar a gestão, acessar crédito e ampliar oportunidades de crescimento.
“O Sebrae está presente no dia a dia do microempreendedor, ajudando desde a emissão de boletos atrasados e parcelamento de dívidas até a emissão de nota fiscal. Sempre que pensar em sair da informalidade, o ideal é buscar informação correta para fazer esse processo com mais segurança”, reforça Marise.
