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Comunidade de Igaraú participa de projeto do SENAI-MA e Petrobras voltado à bioeconomia na Amazônia Legal

Capacitações incentivam uso sustentável da juçara e do coco verde na região de São Luís

SÃO LUÍS – A comunidade de Igaraú, na região metropolitana da capital maranhense, participou de mais uma etapa do projeto Fortalecimento de Cadeias Produtivas do Amapá, Pará e Maranhão para a Promoção da Bioeconomia na Amazônia Legal, desenvolvido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI-MA) em parceria com a Petrobras. A iniciativa reúne educação profissional, transferência tecnológica e empreendedorismo social com foco na geração de trabalho e renda em comunidades tradicionais.

No Maranhão, o projeto é executado nos municípios de São Luís, Paço do Lumiar e Raposa, com ações estruturadas a partir da realidade produtiva local, especialmente relacionadas ao aproveitamento sustentável da juçara e do coco verde. Essas matérias-primas, abundantes na Grande Ilha, apresentam potencial estratégico para a bioeconomia regional e para o desenvolvimento de novos produtos comunitários.

Na comunidade de Igaraú, a certificação marcou a conclusão de cursos realizados dentro do próprio território, fortalecendo o acesso à qualificação profissional e ampliando as possibilidades de aplicação prática do conhecimento adquirido no cotidiano das famílias e da própria comunidade. Ao todo, 58 pessoas foram certificadas.

Josilene Mos, supervisora do projeto pelo SENAI-MA, explicou que a proposta do projeto é conectar educação profissional, inovação e valorização dos recursos naturais das comunidades para gerar oportunidades reais de trabalho e renda. “Quando a formação acontece dentro do território, ela fortalece as cadeias produtivas locais e amplia a autonomia das famílias na construção de soluções sustentáveis para a própria comunidade”, disse.

AUTONOMIA E SUSTENTABILIDADE –Entre as formações ofertadas pelo SENAI está o curso de Processos Construtivos, com carga horária de 60 horas, que apresentou conteúdos básicos relacionados à construção civil, como locação de edificações, alinhamento de paredes, uso de nível e esquadro, cálculo de área e perímetro e técnicas tradicionais utilizadas em obras comunitárias.

Segundo o instrutor de Construção Civil do SENAI-MA, Carlos Ramos, o objetivo da formação é ampliar as oportunidades de atuação profissional e fortalecer iniciativas locais de melhoria das próprias comunidades, inclusive com possibilidades futuras de aplicação em tecnologias sustentáveis como os tijolos ecológicos desenvolvidos no âmbito do projeto. “O curso trabalhou noções básicas do processo construtivo, como alinhamento, esquadro, locação de edificação e cálculo de área e perímetro. Esse conhecimento pode ser aplicado pelos moradores em projetos dentro da própria comunidade e também abre oportunidades de trabalho, tanto de forma autônoma quanto formal”, explicou.

Moradora da comunidade centenária de Igaraú, a agricultora Maria de Jesus Gamboa, que faz parte da diretoria da Associação dos Moradores, destacou que a chegada dos cursos representa um avanço coletivo para o território. “É uma comunidade muito unida. O problema de um é de todos. Esses cursos estão aumentando o nosso conhecimento com práticas que a gente não sabia. Estamos muito felizes com essa oportunidade”, afirmou. Ela também ressaltou que o aprendizado já começa a gerar iniciativas práticas entre os moradores. “Participei do curso construtivo e gostei muito. Já tenho uma área lá que preciso ajeitar e a gente pretende reformar a praça da comunidade com o que aprendemos. Nós mesmas, as mulheres, queremos colocar em prática”, disse.

MELHORIA DE RENDA –Além do impacto comunitário, os cursos também contribuem para ampliar a autonomia individual dos participantes em decisões relacionadas a obras e melhorias residenciais. A apontadora de obras Ana Maria Ferreira dos Santos destacou que a qualificação fortalece tanto o cotidiano quanto a trajetória profissional. “Eu já tinha feito outros cursos do SENAI, mas esse foi muito importante porque reforçou conhecimentos que posso usar tanto no trabalho quanto no dia a dia. Ajuda até para a gente não ser enganada em uma obra e poder aplicar melhorias na própria casa”, relatou.

Outra participante certificada, Maria da Conceição, integrou o curso de Educação Ambiental e destacou a aplicação imediata do aprendizado na rotina familiar e produtiva. “Para mim foi muito bom, muito proveitoso. Aprendi muitas coisas que ainda não sabia e já estou aplicando na minha área. Aprendi também a fazer a calda da juçara e já coloquei em prática”, contou.

As formações realizadas em Igaraú fazem parte de uma estratégia maior do projeto do SENAI com a Petrobras, que integra ações nos estados do Maranhão, Pará e Amapá com foco no fortalecimento de cadeias produtivas ligadas a produtos florestais não madeireiros e à pesca artesanal. No Maranhão, a juçara e o coco verde concentram grande parte dessas ações por sua relevância econômica, ambiental e cultural.

Scheherazade Bastos, gerente do Centro de Educação Profissional e Tecnológica do SENAI Distrito Industrial, ao qual o projeto está ligado no Maranhão, explicou que a certificação dos participantes representa uma etapa inicial dentro de um ciclo mais amplo que inclui desenvolvimento de tecnologias sociais, transferência de conhecimento para produção de novos produtos e orientação para estruturação de negócios comunitários sustentáveis. “A expectativa é que essas ações contribuam para ampliar oportunidades de geração de renda, fortalecer a organização local e valorizar os recursos naturais presentes nas comunidades da região”, frisou.

O projeto “Fortalecimento das Cadeias Produtivas do AP, PA e MA para a Promoção da Bioeconomia na Amazônia Legal” é uma iniciativa em parceria com a Petrobras, através do seu Programa Petrobras Socioambiental, que apoia iniciativas socioambientais voltadas à promoção da inclusão produtiva, da sustentabilidade e do desenvolvimento local.