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Mpox: veja quais cuidados tomar diante do aumento de casos

De acordo com dados atualizados pelo Ministério da Saúde, o Brasil registrou 88 casos confirmados de Mpox em 2026, considerando que o número de casos dobrou em menos de dez dias, na última semana. Não há registros oficiais de óbitos neste ano até o momento e a maioria dos registros de casos está concentrada no estado de São Paulo, seguido por Rio de Janeiro, Rondônia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Distrito Federal, Paraná e Santa Catarina.

Mas afinal de contas, que doença é essa? O médico patologista e professor do curso de Medicina da Faculdade Pitágoras, Raimundo Nonato, explica que a varíola foi erradicada na década de 1980 depois de uma grande campanha internacional de vacinação promovida pela Organização Mundial da Saúde (OMS). “Antigamente, diante do surto de varíola, como não havia cura, a recomendação era esperar o organismo do paciente reagir e combater o vírus. Havia dois tipos de varíola: a varíola major, tipo mais radical da doença, que levava 30% dos doentes a óbito; e a varíola minor, um tipo mais leve que levava a óbito apenas 1% dos doentes”, menciona.

Como a doença foi erradicada, o Brasil não oferece mais a vacina em seu calendário do SUS desde 1970. Mas, quem tomou a dose naquela época ainda tem algum tipo de proteção contra a Varíola dos Macacos. A vacinação contra a varíola tradicional é eficaz também para a varíola dos macacos. No entanto, o especialista alerta para o fato de que pessoas com 50 anos ou menos podem estar mais suscetíveis, já que as campanhas de vacinação contra a varíola foram interrompidas pelo mundo quando a doença foi erradicada em 1980.

A Mpox, antes chamada de Varíola dos Macacos é uma zoonose silvestre viral (transmitida aos seres humanos a partir dos animais), causada pelo vírus monkeypox, que pertence ao gênero Orthopoxvirus, e foi observada inicialmente em macacos em um laboratório em 1958, na Dinamarca.

Os sintomas da Mpox são semelhantes aos da Varíola, mas com menor gravidade: febre, dores de cabeça, musculares e nas costas, linfonodos inchados, calafrios e exaustão, além de lesões na pele que se desenvolvem primeiramente no rosto e depois se espalham para o corpo. “Essas lesões se assemelham à catapora ou à sífilis até formarem uma espécie de crosta, que depois cai”, alerta Nonato. A transmissão da doença se dá a partir do contato com lesões, fluidos corporais, gotículas respiratórias e objetos e materiais contaminados, como roupas de cama.

Quais cuidados tomar diante do aumento de casos?

Ao identificar os sintomas, a pessoa deve procurar o atendimento do profissional de saúde na unidade básica do SUS, próxima à sua residência. A principal forma de proteção é evitar contato direto com pessoas contaminadas. Assim, pessoas com o diagnóstico confirmado de Mpox precisam cumprir o distanciamento social até a melhora das lesões de pele, além de realizar a separação da roupa de uso individual no momento da higienização. “Destaco que a principal forma de transmissão ocorre através do contato pele a pele, pessoal, ou através do contato com objetos pessoais de um paciente que está infectado com a varíola dos macacos” afirma o patologista.

A Mpox geralmente é autolimitada, ou seja, pode ser curada com o tempo. Especialistas chamam a atenção para o período de incubação, geralmente de seis a treze dias. O tratamento é focado nos sintomas com medicamentos para dor, febre, hidratação oral e higienização das lesões. A infecção pode ser grave em alguns indivíduos, como crianças, mulheres grávidas ou pessoas com imunossupressão devido a outras condições de saúde, como lúpus, e pessoas em tratamento de câncer. No entanto, por este vírus estar relacionado ao vírus da varíola, o aspecto positivo é que já existem vacinas disponíveis para conter sua propagação.

De acordo com o Ministério da Saúde, a vacinação em massa não é preconizada em países não endêmicos para a enfermidade, como é o caso do Brasil. A recomendação, até o momento, é que sejam imunizadas pessoas que tiveram contato com casos suspeitos e profissionais de saúde com alto risco ocupacional diante da exposição ao vírus.