Carnaval de Passarela encanta público no encerramento dos desfiles de blocos tradicionais do Grupo B e escolas de samba
A alegria tomou conta do Anel Viário na noite de sábado (21), quando a Prefeitura de São Luís encerrou em grande estilo os desfiles dos blocos tradicionais do Grupo B e das escolas de samba. Comunidades de diversos bairros da capital maranhense se reuniram para celebrar a festa da cultura popular desde o cair da tarde até a madrugada. Neste domingo (21), a partir das 17h, a programação do Carnaval 2026 será encerrada oficialmente com os desfiles dos blocos tradicionais do Grupo A.
O público lotou arquibancadas, frisas e camarotes para torcer por suas agremiações favoritas. Durante toda a programação, a Corte Momesca, formada pelo Rei Momo Waisllan Mendes, pela Rainha Priscylla Muniz, pela primeira princesa Bruna Artioli, e pela segunda princesa, Paloma Arouche, desfilou pela passarela, puxando todas as agremiações.
A festa contou com a presença da vice-prefeita de São Luís, Esmênia Miranda, que destacou a importância da campanha contra o racismo promovida pela Prefeitura de São Luís durante o Carnaval 2026, com distribuição de materiais educativos, como adesivos e copos personalizados.
“A nossa cor não é fantasia. O racismo é, infelizmente, uma mácula, que estamos combatendo aos poucos, inclusive no Carnaval. E hoje aqui vemos essa linda festa, com a presença do público, e falando de várias temáticas, inclusive da temática negra e da preservação da natureza. É, realmente, um evento que precisava ser mantido e deve ser preservado”, afirmou.
Também estava presente a secretária municipal de Cultura, Sheury Manuela Neves, que ressaltou as inovações implementadas este ano na estrutura da Passarela do Samba. “Muito feliz de ver essa festa linda, com uma estrutura que sofreu inovações este ano, valorizando o trabalho das agremiações e de todos os participantes. Aqui são 400 pessoas por arquibancada, com entrada gratuita, enfatizando o caráter democrático do evento”, destacou.
A programação começou com o som vibrante do tambor de crioula, nas apresentações dos grupos Mauro Fecury I, Turma dos Crioulos e Mestre Basílio, que aqueceram o público nas imediações da Passarela do Samba Chico Coimbra. Em seguida, os dez blocos tradicionais do Grupo B encantaram com suas coreografias, indumentárias e batidas marcantes. Balizas e instrumentistas passaram com empolgação, coroando o trabalho que realizam ao longo do ano em suas comunidades.
Escolas de samba
As mais aguardadas da noite, no entanto, foram as escolas de samba, que deram um show à parte. A primeira a cruzar a passarela foi a escola Túnel do Sacavém, fundada em 1997, e que levou para o Anel Viário uma homenagem a “Xangô”. Na sequência, a escola de samba Unidos de Fátima, do Bairro de Fátima, emocionou com um samba-enredo em homenagem aos Lençóis Maranhenses, um dos parques ecológicos mais famosos do mundo.
Em seguida, entrou a Marambaia, agremiação do Bairro de Fátima, que este ano apostou no samba-enredo alinhado ao tema “A Arte da Comunicação: dos tempos dos primórdios à interatividade virtual”. Os integrantes e carro alegóricos abordaram a evolução da comunicação humana ao longo da história.
O desfile passou pelos gestos, símbolos, oralidade, escrita, meios de comunicação e chegou à era digital. Na avenida, o percurso se transformou em narrativa visual e musical, dialogando com o público e com a dinâmica do Carnaval de passarela. O samba é assinado por Dennys Melodia e Benedito Ribeiro (Urubuzinho).
A Turma do Quinto, por sua vez, colocou todo mundo para cantar com o tema “Na Turma do Quinto o Reggae é a Lei”, reverenciando o ritmo que é a cara do Maranhão. O samba é de autoria de Josiel Costa, Jaílson Pereira, Carlos Boniek, Vicente Melo e Arthur Santos. O enredo foi desenvolvido após uma série de rodas de conversa com pesquisadores e um extenso trabalho de campo, que resultou na sinopse utilizada pelos compositores na disputa.
“É a escola do meu coração e acho que fez um bom desfile. Com certeza, estará entre as favoritas. Afinal, ninguém resiste ao reggae e esse tema foi pertinente, pois é preciso valorizar a nossa cultura e fazer jus ao fato de que São Luís é a Jamaica Brasileira”, disse a professora Ana Maria Ribeiro, moradora da Madre Deus.
Com dois mil componentes, alas e carros alegóricos levaram as cores da Jamaica Brasileira e desfilaram diversas personalidades ligadas ao movimento reggae na capital, de diferentes vertentes. “Um trabalho árduo, que pressupõe estudos e ensaios, e temos a certeza de que fizemos uma grande apresentação. Nós casamos as duas paixões, que são o samba e o reggae. Foi um trabalho cansativo, mas proveitoso e valeu a pena”, disse o diretor de bateria Carlos Jhonatan.
Flor do Samba
Encerrando os desfiles, a atual campeã, Flor do Samba, do bairro Desterro, brilhou com o enredo “Entre o Ventre e a Flor: Mulheres, Mitos e Deusas”, arrancando aplausos do público. O enredo atravessou mitologias e realidades: de Ísis a Iemanjá, de Durga à Rainha de Sabá, de Dandara dos Palmares a Joana d’Arc, de Nefertiti às anônimas que sustentaram o mundo com braços, rezas e coragem. No desfile, cada uma delas ressurgiu não como uma presença viva, coroada em plena avenida e encerrando as apresentações com chave de ouro.
