Volta às aulas sem drama: como a rotina influencia o comportamento e a saúde emocional das crianças
Especialistas explicam por que o retorno após as férias pode gerar ansiedade, irritabilidade e até regressões e como as famílias podem ajudar
O fim das férias escolares marca um período de adaptação importante para crianças e famílias. A quebra da rotina, comum durante os dias de descanso, pode impactar diretamente o comportamento infantil, provocando irritabilidade, dificuldade de concentração, alterações no sono, ansiedade e até regressões emocionais e no desenvolvimento. Com a retomada das aulas, esses sinais costumam se intensificar, exigindo atenção e acolhimento dos adultos.
Segundo a psicóloga e neuropsicóloga Thaís Barbisan, a rotina tem papel fundamental na saúde emocional das crianças. “A previsibilidade traz segurança. Quando a criança passa semanas com horários flexíveis, menos limites e estímulos diferentes, o retorno brusco às exigências escolares pode gerar estresse, ansiedade e comportamentos desafiadores”, explica. De acordo com a especialista, choros frequentes, irritação excessiva e resistência para ir à escola são respostas comuns nesse período de transição.
Do ponto de vista do desenvolvimento e do comportamento infantil, a neuropsicopedagoga Silvia Kelly Bosi reforça que a adaptação precisa ser gradual. “A criança não ‘liga um botão’ e volta ao ritmo escolar de um dia para o outro. Ajustar horários de sono, alimentação e estudo alguns dias antes do retorno às aulas ajuda o cérebro a se reorganizar e favorece uma adaptação mais saudável”, destaca. Para ela, rotina não significa rigidez, mas constância e coerência no dia a dia.
Além dos impactos emocionais e comportamentais, mudanças de rotina também podem refletir na comunicação. A fonoaudióloga Angelika dos Santos Scheifer, especialista em atraso de fala, alerta que períodos longos sem estrutura podem evidenciar ou intensificar dificuldades na linguagem. “Durante as férias, é comum o aumento do tempo de telas e a redução de interações qualificadas. No retorno às aulas, algumas crianças demonstram mais dificuldade para se expressar, seguir comandos ou organizar a fala”, explica.
As especialistas concordam que pequenas estratégias práticas fazem diferença nesse momento: retomar gradualmente os horários, conversar com a criança sobre o retorno à escola, validar emoções, reduzir telas e estimular atividades que promovam vínculo e comunicação são atitudes que ajudam a tornar a transição mais leve. “Quando o adulto acolhe e conduz esse processo com previsibilidade e escuta, a criança se sente mais segura para enfrentar as mudanças”, conclui Thaís Barbisan.
Caso tenha interesse na pauta, fico à disposição para fazer a ponte de entrevista com a especialista.
Thaís Barbisan
Psicóloga clínica e neuropsicóloga (CRP 06/136840), formada pela Universidade de Ribeirão Preto (UNAERP) e pós-graduada em Neuropsicologia pelo Instituto de Estudos do Comportamento, atuando há mais de oito anos no atendimento a crianças, adolescentes e adultos. Com abordagem integrativa e ênfase na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), dedica-se à psicoterapia e à avaliação neuropsicológica, especialmente em casos de TDAH, dificuldades de aprendizagem, ansiedade, depressão e questões emocionais. Atende presencialmente em Ribeirão Preto (SP) e também no formato online, oferecendo acolhimento, ciência e estratégia clínica para promover saúde mental e qualidade de vida.
