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Carnaval no mar cresce como alternativa para quem quer fugir de hotéis lotados e trânsito nas cidades

Levantamento aponta cerca de 40 mil pessoas em cruzeiros pelo litoral brasileiro; especialista explica como funciona a viagem e o que o turista precisa saber antes de embarcar

O aumento da procura por viagens organizadas e com menos deslocamentos internos tem levado parte dos brasileiros a trocar o Carnaval nas ruas por experiências em alto-mar. O cruzeiro, que reúne hospedagem, alimentação e entretenimento em um único ambiente, passou a ser visto como alternativa para quem quer viajar no feriado sem enfrentar a superlotação típica dos destinos mais procurados do país.

Segundo levantamento do Ministério do Turismo em parceria com a Associação Brasileira de Cruzeiros Marítimos (CLIA Brasil), cerca de 40 mil pessoas, entre passageiros e tripulantes, devem circular pela costa brasileira entre os dias 13 e 23 de fevereiro. O período contará com dez navios operando roteiros nacionais e internacionais durante o Carnaval.

O impacto econômico também aparece nas estimativas. Estudo da Fundação Getúlio Vargas em parceria com a CLIA Brasil aponta gasto médio de R$ 709,47 por passageiro nas cidades de escala e de R$ 918,15 nos portos de embarque e desembarque. Os valores consideram consumo em restaurantes, comércio, passeios e serviços turísticos.

Para a consultora de turismo Santuza Macedo, o crescimento do setor está ligado a uma mudança no comportamento do viajante durante o feriado. “Muita gente quer viajar no Carnaval, mas não quer lidar com preços inflacionados, trânsito intenso e dificuldade para reservar hotéis. O cruzeiro aparece como uma solução porque concentra tudo em um único pacote”, afirma.

O que realmente está incluído no preço

Uma das principais dúvidas de quem nunca fez um cruzeiro é entender o que faz parte da tarifa. Segundo Santuza, a maioria dos navios trabalha com pensão completa.

“A hospedagem, as refeições principais, shows, festas temáticas e uso das áreas comuns, como piscinas e academia, normalmente já estão incluídos. O que costuma ser cobrado à parte são bebidas alcoólicas, restaurantes especiais, internet, spa e excursões nas cidades de parada”, explica.

Ela afirma que, durante o Carnaval, o custo pode ser comparável ao de uma viagem tradicional. “Quando a pessoa soma hotel, alimentação, transporte e lazer em destinos turísticos nesse período, muitas vezes o valor final se aproxima do preço de um cruzeiro.”

Segurança e conforto para quem nunca viajou pelo mar

O receio em relação ao movimento do navio e à segurança é comum entre viajantes de primeira viagem. Segundo a consultora, os navios seguem protocolos internacionais.

“As embarcações operam com normas rígidas de segurança, equipe médica a bordo e treinamento obrigatório para todos os passageiros no início da viagem. É um procedimento padrão em qualquer cruzeiro”, afirma.

Sobre o balanço do mar, ela explica que o desconforto costuma ser menor do que o imaginado. “Os navios modernos possuem sistemas de estabilização. Em roteiros de cabotagem, próximos à costa, a maioria das pessoas praticamente não percebe o movimento.”

Como funcionam as paradas nas cidades

Os cruzeiros fazem escalas em diferentes destinos, e o passageiro pode optar por passeios ou permanecer a bordo.

“O navio chega e sai em horários definidos. O turista pode contratar excursões com a companhia ou explorar a cidade por conta própria, desde que respeite o horário de retorno”, orienta Santuza.

Ela destaca que o planejamento é importante, especialmente durante o Carnaval. “Quem se atrasa corre o risco de perder o embarque. O navio segue o cronograma.”

Perfil de quem escolhe o cruzeiro no feriado

O público é diverso, segundo a especialista. Há famílias, casais e grupos de amigos.

“Muita gente busca praticidade. A pessoa embarca uma vez e já tem hospedagem, alimentação e programação organizadas. Não precisa trocar de hotel nem enfrentar deslocamentos entre cidades”, afirma.

Ela observa que cada navio tem um perfil. “Alguns são voltados para festas e programação intensa de Carnaval. Outros oferecem um ambiente mais tranquilo, com foco em descanso.”

Planejamento garante melhores opções

Apesar da alta demanda no período, a antecedência ainda é determinante para quem quer economizar.

“As cabines mais bem localizadas acabam primeiro. Quem reserva com antecedência encontra mais opções e condições de pagamento melhores”, diz.

Para Santuza, o crescimento do turismo marítimo durante o Carnaval mostra que o segmento deixou de ser visto como algo distante do público brasileiro. “O cruzeiro passou a ser uma alternativa concreta para diferentes perfis de viajantes. Não é mais uma viagem de nicho.”

Sobre Santuza Macedo
Santuza Macedo é consultora de turismo e CEO da Diamond Viagens. Viveu em Orlando (EUA) e atua com planejamento de roteiros e experiências no Brasil e no exterior, com foco em organização, suporte e personalização para diferentes perfis de viajantes.