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Roda de samba se consolida como estratégia para bares ampliarem fluxo e permanência do público

A poucas semanas do início do Carnaval, bares de diferentes regiões do país reforçam a aposta na roda de samba como estratégia para atrair público, ampliar o tempo de permanência dos clientes e fortalecer a identidade dos negócios. Mais do que uma atração pontual, o formato vem se consolidando como ferramenta de posicionamento e geração de movimento, especialmente em um cenário de expectativas positivas para o setor de alimentação fora do lar.

Um levantamento da Abrasel mostra que 69% dos estabelecimentos esperam faturar mais no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período de 2025. Em relação ao último trimestre deste ano, 56% também projetam crescimento. A confiança do setor é sustentada principalmente pelo desempenho recente das empresas, impulsionado pelas confraternizações de fim de ano e pelo pagamento do 13º salário para um número maior de trabalhadores, em um contexto de menor taxa de desemprego dos últimos anos.

Nesse ambiente mais favorável, experiências que estimulam a permanência do cliente ganham protagonismo — e a roda de samba aparece como uma das principais apostas.

Permanência maior, mas estratégia exige consistência

Para Pedro Costa, dono do bar Saruê, em Belo Horizonte, a roda de samba cria uma relação diferente com o público e impacta diretamente a dinâmica do consumo. “A roda de samba cria um vínculo diferente com o público e estimula a permanência. Muitas vezes ela começa depois do almoço e faz o cliente ficar mais tempo na casa, e esse é o principal objetivo”, afirma.

Segundo o empresário, a decisão de apostar no samba precisa ser encarada como um projeto de médio e longo prazo. “Abraçar o samba significa entender que não é algo pontual. Não adianta colocar um samba no domingo e achar que vai dar certo. Precisa de tempo para maturar, para o público saber que existe e que é bom”, diz. Ele ressalta ainda que a escolha pode afastar parte dos clientes que não gostam de música ao vivo, ao mesmo tempo em que torna o público fã de samba mais exigente.

Do ponto de vista financeiro, o impacto também tem nuances. “As pessoas ficam mais tempo, mas o ticket médio não necessariamente aumenta. A estratégia é de massa, de colocar mais gente na casa”, explica Pedro. Por isso, formatos como baldes de bebida e combos ajudam a facilitar o consumo em ambientes cheios, especialmente quando o público acompanha a apresentação em pé.

Samba, Carnaval e experiência além do palco

proximidade do Carnaval potencializa a visibilidade das rodas de samba, mas não elimina a necessidade de planejamento. Para Pedro Costa, iniciar uma programação apenas no período carnavalesco envolve riscos. “O consumidor tende a preferir casas que já trabalham com samba, que têm experiência previsível, estrutura e artistas conhecidos. Começar do zero no Carnaval exige investimento alto e planejamento”, avalia.

Ainda assim, o período amplia oportunidades para estabelecimentos que já dialogam com a cultura do samba. No Rio de Janeiro, o Baródromo, tradicional bar cultural da região do Maracanã, tem reforçado essa conexão ao integrar rodas de samba a experiências que vão além da música. O espaço passou a promover aulas gratuitas de samba no pé aos domingos, acompanhando a programação musical da casa e aproximando o público da dança, da cultura carnavalesca e da história do gênero.

A iniciativa reforça uma tendência observada em diferentes cidades: bares que conseguem transformar a roda de samba em experiência — seja por meio da ambientação, da programação ou da interação com o público — ampliam o tempo de permanência e fortalecem a identidade da marca.

Com expectativas positivas para o faturamento e um público cada vez mais interessado em vivências completas, a roda de samba se consolida como uma estratégia relevante para bares que buscam crescer de forma consistente, aproveitar o calendário de Carnaval e construir resultados que se estendam ao longo de todo o ano.