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Parkinson: doença pode começar nos rins, aponta estudo

Os estudos sobre a doença de Parkinson ganharam um novo capítulo. Pesquisadores da Universidade de Wuhan, na China, descobriram que a proteína associada ao desenvolvimento desta condição neurológica pode se acumular em rins com função renal comprometida. Ao se proliferar no órgão, a proteína alfa-sinucleína (α-Syn) se espalha para o cérebro. A pesquisa foi divulgada em uma das revistas mais influentes da neurociência mundial, a Nature Neuroscience. 

Para chegar a este resultado, os cientistas conduziram testes em laboratório utilizando camundongos com rins saudáveis e outros com insuficiência renal. O experimento consistia em injetar a α-Syn nas cobaias. Na avaliação, aqueles com rins saudáveis conseguiram filtrar e eliminar a proteína do sangue. Nos outros, o mau funcionamento renal desencadeou o acúmulo da α-Syn no rim e posterior disseminação. 

Outro ponto do artigo publicado na Nature Neuroscience é a associação entre a retirada das células sanguíneas com a proteína alfa-sinucleína e a diminuição dos sintomas nos camundongos transmutados com a α-Syn A53T. A experiência conduzida pelos pesquisadores chineses, embora inicial e de pequena amostra, reforça teorias e traz novos caminhos para pensar e explorar formas de prevenir e tratar o Parkinson. 

Parkinson 

No Parkinson, as células que produzem a dopamina são danificadas. Por ser o neurotransmissor responsável pela comunicação com o sistema nervoso, sua ausência desencadeia tremor, desequilíbrio, alteração na fala, rigidez muscular e lentidão de movimentos. O comprometimento motor, característico da doença, não tem cura, mas pode ser tratado, de modo a garantir melhor qualidade de vida. 

No Brasil, a estimativa de um estudo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e do Hospital de Clínicas de Porto Alegre é de que existam ao menos 500 mil brasileiros com 50 anos ou mais convivendo com esta alteração neurológica. O estudo desta parceria, publicado na revista The Lancet Regional Health – Americas e divulgado no portal de notícias G1, faz projeções de que, até 2060, o número possa chegar a 1,2 milhão de casos.

O Parkinson já é considerado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) a segunda doença neurodegenerativa mais recorrente, ficando atrás apenas do Alzheimer. Por ter uma evolução variável, não são raras as ocasiões em que o diagnóstico chega em estágios avançados, quando os sintomas comprometem o bem-estar do indivíduo. Por isso, fala-se do tratamento e cuidado multidisciplinar. 

Até onde a medicina avançou, foi possível combinar intervenções cirúrgicas, medicamentosas e de fisioterapia e terapia ocupacional para retardar a degeneração neurológica. Mas a atenção aos primeiros sinais e a fatores de risco também é importante. Lentidão nos movimentos, alteração no sono, dificuldade para falar e engolir e depressão são sintomas associados ao Parkinson que podem passar despercebidos.