Você já ouviu falar de fobia financeira?

O dinheiro é uma ferramenta importante na vida de todos nós, mas para alguns ele pode representar muita dor de cabeça.

Infelizmente, milhões de pessoas no Brasil e em todo o mundo convivem diariamente com um problema de saúde chamado fobia financeira. Ela ainda é pouco comentada, mas pode trazer danos graves, para a mente, o corpo e o bolso.

Entenda neste artigo o que é a fobia financeira e como é possível superá-la.

O que é a fobia financeira?

A fobia financeira é o medo exagerado, anormal, de questões relacionadas ao dinheiro. As pessoas que sofrem dessa condição reagem de forma preocupante a situações como pagar contas, olhar o preço de um produto desejado, conferir o saldo da conta, pegar empréstimos, pedir aumento de salário, etc.

Entre os sintomas e comportamentos típicos da fobia financeira estão:

● Evitar tomar decisões financeiras

● Evitar conversar sobre a renda, salário, preços, dívidas, etc.

● Ansiedade, medo, insegurança ou desinteresse frente a questões relativas a dinheiro

● Taquicardia, insônia, tontura, enjoo, suor excessivo, dor de cabeça e outros sintomas físicos.

A fobia financeira normalmente surge após algum episódio traumático envolvendo dinheiro, tendo ele ocorrido com o portador da doença ou com alguém próximo, um parente ou amigo, normalmente.

Exemplos de tais episódios são: ficar atolado em dívidas, perder o emprego, ir à falência, ser despejado após não conseguir pagar o aluguel, sofrer ameaças de cobradores ou agiotas, presenciar um ente querido sofrer devido a problemas financeiros, entre outros.

A fobia financeira ainda não tem reconhecimento unânime da comunidade científica como uma doença. Ela, por exemplo, não é classificada como transtorno psiquiátrico pela Associação Americana de Psiquiatria, entidade que é referência na área.

O conceito na verdade é recente, tendo sido proposto pela primeira vez em 2003, pelo psicólogo britânico Brendan Burchell.

O professor Burchell já publicou diversos estudos sobre a fobia financeira, entre os quais se destaca uma pesquisa realizada em 2015, com mais de 1,3 mil voluntários, cujos resultados revelam que aproximadamente 20% das pessoas sofrem com a condição.

É muito provável que a fobia financeira tenha se difundido mais no contexto recente de pandemia e crise econômica, especialmente no Brasil. Aqui, devido aos índices econômicos alarmantes, muitos brasileiros se veem frente a dificuldades para pagar suas despesas diárias ou planejar o futuro.

Desse modo, é compreensível que desenvolvam um quadro de medo e ansiedade em relação às questões financeiras, o que pode evoluir para uma fobia.


Como ela pode atrapalhar sua saúde financeira?

Os efeitos da fobia financeira podem ir além da saúde psíquica e corporal, podendo também impactar a vida financeira propriamente dita. Os portadores desse mal, devido à aversão aos assuntos financeiros, podem negligenciar questões importantes, como contas a pagar, parcelas atrasadas, dívidas, recebimentos incorretos, poupança, etc.

Dessa forma, o fóbico pode ter seu orçamento comprometido conforme a doença se agrava e, nesse caso, a recuperação da vida financeira se torna ainda mais difícil, devido à recusa em lidar com os assuntos pecuniários.

Em todo o caso, é preciso estar atento aos sintomas da fobia financeira e enxergar os efeitos dela sobre a saúde e o orçamento do paciente. Felizmente, algumas medidas podem ser tomadas para atenuar ou mesmo sanar esse mal. É sobre elas que falaremos a seguir.

Como vencer o medo de lidar com dinheiro

O medo de lidar com o dinheiro, assuma ele a forma de uma fobia ou não, pode trazer graves consequências para nossas vidas. Algumas medidas, no entanto, podem reverter o quadro e evitar que as finanças voltem a ser motivo para dores de cabeça.

Converse sobre dinheiro

Sabemos muito bem que, quando se trata de uma situação traumática, o melhor é respeitar nossos limites e buscar superá-los com prudência.

O primeiro passo para quem sofre de medo ou ansiedade em relação às questões financeiras é procurar conversar sobre o assunto com alguém, de preferência alguém de confiança, como um parente ou amigo. Aos poucos, é possível ir perdendo o medo de falar e pensar sobre dinheiro e partir para os passos seguintes.

Para quem sofre de fobia financeira, no entanto, a dificuldade em dar esse primeiro será ainda maior. Nesse caso, o melhor talvez seja partir para a segunda medida.

Busque auxílio profissional

A maioria das pessoas ainda sentem receio de procurar ajuda psicológica, mas ela é altamente recomendável quando o assunto é medo de lidar com dinheiro, e pode trazer grandes benefícios para a vida do paciente.

Um profissional de saúde mental, como um psicólogo, pode iniciar o tratamento do seu medo ou fobia. Em casos mais graves, é recomendada a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), que combina técnicas de autorreflexão e exposição às causas do medo.

Planeje as suas finanças

Depois de perder um pouco do medo de lidar com as questões financeiras e, caso necessário, receber acompanhamento psicológico, é hora de planejar suas finanças.

Comece colocando no papel todas as suas fontes de renda, seu patrimônio e suas despesas. Organize tudo de modo a ter uma ideia clara de onde o dinheiro está vindo e para onde ele está indo.

Além disso, busque também identificar o modo com que você lida com seu dinheiro e as principais formas de pagamento que utiliza, como dinheiro em espécie, cartão de crédito ou outras modalidades.

Em seguida, identifique os gastos essenciais e os não essenciais. Dê prioridade às dívidas em atraso ou que não podem ser atrasadas. Em alguns casos, veja se não é viável negociar essa dívida ou trocar por uma com taxas menores. . Escolha quais despesas podem ser cortadas, de modo a priorizar o pagamento das despesas essenciais e, se possível, começar a poupar dinheiro.

Cuide da sua educação financeira

A educação financeira é um tema importante para todos os consumidores, não importando o nível de renda.

Além de se educar sobre o planejamento das finanças pessoais, é ainda recomendável procurar entender melhor sobre investimentos e até sobre o funcionamento da economia e do sistema financeiro.

Esse conhecimento pode render muitos frutos, como não voltar a cair em dívidas, adquirir bens há muito desejados ou, ainda, alcançar um padrão de vida mais confortável.

Estabelecendo uma relação saudável com as finanças

O dinheiro pode ser fonte de felicidade ou de tristeza. Na maior parte das vezes, estabelecer uma relação saudável com esse bem tão importante é o primeiro passo para não cair em situações difíceis. O ideal é que as finanças pessoais não sejam nem fonte de medo excessivo, nem motivo para uma confiança exagerada, que pode levar a gastos comprometedores.

Aqui no Juros Baixos você tem acesso a diversos materiais que te ajudarão a estabelecer uma relação mais saudável com o dinheiro. Além dos artigos do nosso blog, você também pode conferir os vídeos do nosso canal no YouTube, fazer nossos cursos completos e até contratar um de nossos planejadores financeiros.