SÃO LUÍS – Saúde mental é tema de roda de conversa

A programação do Mês da Mulher no Ministério Público do Maranhão teve seguimento nesta sexta-feira, 14, no auditório das Promotorias de Justiça de São Luís, com uma roda de conversa sobre saúde mental.

Na abertura do evento, a coordenadora do Centro de Apoio Operacional de Enfrentamento à Violência de Gênero (CAO-Mulher), Selma Regina Souza Martins, deu as boas-vindas aos participantes e destacou a importância do autocuidado e de cada um reconhecer os próprios limites para manter a saúde mental. “Saúde mental é interesse de todos. Esse tema tem que ser recorrente”, afirmou.

Em seguida, a promotora de justiça e coordenadora do Núcleo de Apoio às Vítimas (NAV), Lana Barros Pessoa, e o psicólogo e analista ministerial Eliandro Araújo, que atuaram como mediadores e debatedores, igualmente destacaram a necessidade de naturalizar o debate em torno da saúde mental.

Lana Pessoa destacou que existe uma representação nas redes sociais onde as pessoas se mostram felizes e essa situação contribui para problemas de saúde mental. “Pressão, preocupação, angústia, ansiedade. É sobre isso que vamos tratar”.

Para Eliandro Araújo, o debate em torno da saúde mental é estratégico no desenvolvimento pessoal. Ele citou o período da pandemia da Covid-19 como um momento crítico de aumento de ansiedade e depressão. “O isolamento mexe com nosso comportamento”.

PALESTRAS

As psicólogas Eugênia de Azevedo Neves e Manuela Itapary participaram da roda de conversa sobre saúde mental, proferindo palestras sobre o assunto.

Tendo apresentado a primeira exposição, a psicóloga, juíza e escritora Eugênia de Azevedo Neves abordou o tema da saúde mental no âmbito do universo feminino, citando inicialmente os primeiros estudos de Freud como referência. “Por que o feminino interessa à psicanálise? Basicamente porque o feminino fundou a psicanálise. Freud, no final do século XIX, começou a ouvir as histéricas. Elas sentiam dores que não tinham substrato orgânico. Freud percebeu que por trás dessas dores, havia o inconsciente”, contou.

E completou: “o grande legado de Freud foi esse: dar voz e escuta às mulheres”. 

Por sua vez, Manuela Itapary começou a sua apresentação citando o conceito de saúde mental, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS). Dentro dessa definição, a palestrante acrescentou que a condição de bem-estar é instável e transitória. “Muda de acordo com as circunstâncias da vida”.

Ela também apresentou um dado referendado pela OMS que aponta que uma em cada cinco mulheres no Brasil sofre de algum transtorno mental comum. “É um número bastante expressivo. Outro estudo indicou que 45% das mulheres no Brasil apresentou algum transtorno mental após a pandemia. Por isso, a importância de a gente falar da saúde mental da mulher”, destacou Manuela.

Após a exposição das palestrantes, a promotora de justiça Lana Barros Pessoa e o psicólogo e analista ministerial Eliando Araújo realizaram ponderações e questionamentos às palestrantes. O debate continuou com a participação do público.

FEIRA DAS PRETAS

A Feira das Pretas, articulação das mulheres empreendedoras, também foi realizada nas Promotorias de Justiça de São Luís. O objetivo é estimular a economia solidária e o empreendedorismo do público feminino afrodescendente. A feira teve exposição de artesanato, objetos de decoração, moda, cosméticos, itens religiosos, papelaria e gastronomia.

No local, também se apresentou o grupo de samba As Brasileirinhas, um dos primeiros no Brasil, formado exclusivamente por mulheres.