ReinventAção: Profissionais da educação superam desafios na missão de educar durante a pandemia

Quando a pandemia do novo coronavírus bateu à porta do mundo e mudou a rotina do planeta, todos se depararam com muitas incertezas e o sentimento de impotência diante do desconhecido. As indagações sobre o que fazer e como fazer se espalharam por todos os lugares. Milhões de profissionais tiveram que se reinventar, pensar fora da caixinha, sair da zona de conforto para tentar seguir em frente e fazer a roda da vida.

Foi assim com os profissionais de educação, um dos primeiros a pararem suas atividades devido à alta possibilidade de disseminação do vírus. Eles tiveram que buscar saídas para fazer com que os conteúdos pedagógicos chegassem aos estudantes e o prejuízo com a suspensão das aulas presenciais fossem reduzidos. Isso exigiu adaptação de professores e alunos, e trouxe outras formas de abordagem na educação: a de ensinar à distância, por meios remotos. Na maioria dos casos, a sala de aula migrou para os espaços domésticos.

Aqui no Maranhão, os professores da rede estadual de ensino não ficaram de fora dessa missão desafiadora de tentar fazer o ensino acontecer, nesse momento de tantas adversidades. A maioria encontrou uma forma de chegar aos seus alunos. Muitos professores, que não estavam acostumados ao uso de ferramentas tecnológicas, tiveram que se adaptar, se reinventar, mesmo.

E para exaltar o trabalho e o esforço desses profissionais para chegar aos estudantes, a Secretaria de Estado da Educação (Seduc) está iniciando uma série de reportagens, para contar as inúmeras histórias desses profissionais da educação que, em meio ao caos, encontraram uma forma de se reinventar para levar educação aos seus estudantes, durante a pandemia. Usaremos do neologismo para chamar essa série de ReinventAção.

Conheça o professor Carlos Magno da Silva Cunha

A primeira história a ser contada é a de Carlos Magno da Silva Cunha, 49 anos de idade, sendo 26 deles dedicados à carreira de professor de Matemática na rede estadual de ensino, lotado no IEMA Bacelar Portela. O professor Carlos lecionou a vida inteira do modo tradicional: usando o quadro negro e o giz, mais recentemente, quadro branco e os pincéis. Ele nem imaginava que um dia seria surpreendido por uma pandemia que mudaria drasticamente a forma de trabalhar e interagir com seus alunos. Mas, como tantos outros profissionais ele também não deixou a ‘peteca cair’.

“Me considero um professor regular com as tecnologias, mas, também me considero um professor que me motivo com muita facilidade, que procuro reconhecer o meu grau de responsabilidade e superar as dificuldades. Então, esse momento tem sido assim, através dos cursos de capacitação eu tenho me esforçado para superar as dificuldades e posso dizer que estou gostando de saber que sou capaz e que posso oferecer um bom trabalho para o meu aluno”, frisou o professor.

Para conseguir levar aulas com qualidade e de forma tranquila para que seus alunos da 1ª série do Ensino Médio possam continuar em casa aprendendo, o professor Carlos não poupou esforços. Ele transformou um cantinho de sua casa em uma pequena sala de aula, com direito a quadro branco e pincéis e, claro, um notebook. Como gosta e precisa ficar de pé para usar o quadro, ele cuidou dos detalhes para que a câmera do notebook captasse tudo o que é necessário para que a aula chegue com clareza aos estudantes. E para isso, haja engenharia para fazer a coisa acontecer: ele coloca uma cadeira sobre uma mesa, livros e, finalmente, o computador portátil. Pronto! Está conectado com seus alunos por meio da internet.

“Ponho meu jaleco com a logomarca do IEMA e assim eu consigo incorporar o professor da sala de aula física. Por meio da plataforma do Google Meet, eu abro a reunião com os meus alunos, tenho tido o respaldo nas reuniões remotas e consigo dois tempos de aula, e os alunos, aparentemente, não têm ficado cansados. A gente conclui as aulas com um pouco de animação. E essa animação é importante”, pontuou o professor de Matemática.

O professor Carlos destaca, ainda, que existem dificuldades que estão sendo trabalhadas e superadas gradativamente. Para ele, esses desafios estão balizados em alguns aspectos importantes.

“O primeiro é que a escola, o professor e o estudante não estavam preparados para trabalhar de forma remota. Nós não estávamos preparados, não tínhamos uma desenvoltura para trabalhar dessa forma. A nossa desenvoltura era muito precária nesse contexto. O segundo aspecto é o de que, a escola, orientada por suas instâncias superiores, buscou meios de conversar com seu professorado, respeitando as limitações do momento. E juntos buscamos alternativas para que pudéssemos fazer o nosso trabalho e garantir o mínimo de escolarização, de trabalho com esse estudante. Também foi feito um enorme contato com os pais e os alunos. Nesses aspectos todos nós demos as mãos e tentamos superar essas dificuldades”, frisou. 

Outro aspecto importante que o professor destaca em relação aos desafios enfrentados, são os próprios alunos.

“O conjunto do alunado é muito heterogêneo, tanto no que diz respeito à vontade e à animação para o estudo, quanto em relação ao equipamento: um bom celular, um computador, uma boa internet. Essa situação, também, tem sido um dos entraves. Ainda não foi totalmente superada, mas, está sendo trabalhada pelos professores, a escola, o governo, para que esse aluno possa ser alcançado. No começo, havia uma fala de que teríamos condições de voltar em agosto, e aí, talvez o aluno tenha pensado que não precisaria se envolver tanto, porque logo voltaria e teria o conteúdo à mão, com a presença do professor. Agora, existe uma fala forte de que a possibilidade de não voltarmos esse ano é grande. Dessa forma, a família e o aluno começaram a perceber que esse estudante precisa se envolver, precisa dar um jeito, porque senão vai ter um ano de prejuízo”, continuou.

“Eu percebo uma evolução! Fazendo um comparativo de abril e maio, no início das aulas remotas, houve um avanço. Começando pelo professor, que precisou superar os desconfortos iniciais em trabalhar com as tecnologias. Vários cursos foram oferecidos, então, isso faz com que se ganhe confiança. Eu já percebo o professor mais animado, mais confortável nesse trabalho”, informou.

Perguntado sobre como ele se sente superando suas limitações, pensando fora da caixinha, se reinventado para encontrar uma forma de ajudar os seus alunos nesse momento tão atípico, a resposta foi simples e encorajadora: “Me sinto muito bem. Me considero um professor que todos os dias busca estar motivado. Eu tenho 26 anos de sala de aula, mas, costumo dizer que tenho muita pólvora para queimar na educação. Me sinto atraído, me sinto responsável pelo processo, gosto de trabalhar com meu aluno. Me sinto feliz quando percebo que meu aluno está crescendo, está melhorando. Isso me motiva! Os desafios, eles vêm para que a gente possa superá-los. E o apoio da escola é fundamental para enfrentarmos e superarmos esse momento. Nós não estamos parados. Nossa escola está caminhando. E isso para mim é motivo de alegria”, declarou.

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