Mulheres continuam a empreender mais que os homens

Entre os novos empreendedores, aqueles que possuem um negócio com até 3,5 anos, as mulheres têm uma taxa de empreendedorismo superior à dos homens. A taxa delas é de 15,4%, enquanto a masculina é de 12,6%. Os dados são da última pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM), datada de 2016, que ainda reforça o que se tem percebido no ambiente empresarial brasileiro: com 51,5%, as mulheres chefiam os novos empreendimentos no País, fazendo uso de seus conhecimentos, habilidades, características e atitudes que se traduzem em uma boa gestão.

“Em 13 anos (de 2001 a 2014), o número de brasileiras empresárias cresceu 34%, enquanto o aumento de homens nesta situação, no mesmo período, foi de 14%. Das  novas empresas que surgiam no mercado, 42% eram comandadas por mulheres; hoje, esse índice está quase dez pontos maior, o que demonstra que elas estão mais participativas na gestão dos negócios, uma projeção que tende a crescer nos próximos anos devido ao empoderamento cada vez maior do sexo feminino”, aponta o diretor técnico do Sebrae no Maranhão, Antônio Garcês.

A declaração do executivo, encontra eco em outro dado constatado pela Rede Mulher Empreendedora (RME), referente ao perfil da mulher que empreende no Brasil. Na pesquisa “Empreendedoras e seus negócios”, que entrevistou 800 mulheres no território nacional, de agosto a setembro de 2017, a média de idade da mulher que empreende é de 39 anos, quase 80% têm ensino superior completo ou mais, sendo que 61% são casadas, mais da metade (55%) têm filhos e 44% são chefes de família – e das que já são mães, 75% dizem que decidiram empreender depois da maternidade.

A empresária Giovana Gomes Alencar, proprietária de uma loja de jogos e acessórios de informática, em Açailândia, garante que nunca teve vocação para ser dona de casa em tempo integral. Ela integra o percentual de 40% de mulheres entre os empreendedores ativos no Maranhão.

“Sempre realizei atividades domésticas, mas o que me motiva e revigora é estar no dia a dia do meu negócio”, confessa a empresária que é pedagoga por formação que, há exatos quatro anos, abriu mão de uma carreira na área de Educação e, com a ajuda do marido, investiu em uma loja de informática que já se tornou referência na cidade.

“Na minha trajetória, busquei estar informada sobre o meu negócio e sempre pensei em crescer. Recentemente, ampliamos o portfólio de produtos e serviços para atender a novos mercados e o meu principal parceiro nessa experiência empreendedora é o Sebrae. Participei de consultorias, orientações, cursos de aperfeiçoamento para os funcionários, e, por último, recebi suporte na criação do layout e padronização da loja e da nossa marca”, revela a proprietária da Chips Informática.

Negócios de família

Quando não abrem o seu próprio negócio, as mulheres apoiam os maridos ou filhos na empresa da família. Foi assim com a assistente social Andyra Sousa Melo, de Chapadinha.

Casada com o médico gastroenterologista e clínico geral, Josué Portela, há dois anos ela propôs ao marido algumas mudanças na gestão da clínica que a família possui na cidade. Seis meses depois de assumir a parte da gestão do Centro de Medicina Avançada em Chapadinha, Andyara propôs acrescentar o atendimento ambulatorial e ampliar a oferta ao cliente de uma para 20 especialidades médicas. Além disso, a clínica a realizar exames de diagnóstico por imagem.

“Fomos acompanhados de perto pelo Sebrae que nos prestou consultorias e capacitações nas áreas de atendimento e gestão de pessoas para que a nossa equipe pudesse estar mais organizada e preparada para as mudanças”, apontou a empresária.

comentando que, apesar de não ser fácil conciliar os papéis de mãe, esposa e empreendedora, acredita que “as mulheres foram agraciadas com características que as ajudam a ser boas administradoras, o que as ajudam a ser mais flexíveis às mudanças”.

Escolaridade em alta

No perfil da mulher maranhense contemporânea que empreende, um ponto é singular: elas estão preocupadas – mais que em qualquer outra época – com a qualificação. Na Pesquisa do Sebrae “Dono de Negócios do Brasil: Análise por gênero” – que utiliza dados da Pnad/IBGE de 2016, as maranhenses empresárias têm quase dois anos a mais de escolaridade que o homem e quase metade das donas de novos negócios (49%) têm pelo menos o segundo grau completo.

Essa trajetória escolar desigual, relacionada a papéis de gênero e à entrada precoce dos homens no mercado de trabalho, faz com que as mulheres tenham um maior nível de instrução no País. Na faixa dos 25 a 44 anos de idade, 21,5% delas completaram graduação, contra 15,6% dos homens.

“Esse dado, aliado às características femininas como maior sensibilidade para tratar problemas, tendência à cooperação, liderança inclusiva e capacidade de pensar e agir em muitas direções ou temas ao mesmo tempo, faz com que as mulheres acabem tomando a decisão de empreender diante das oportunidades e passem a ter cada vez mais participação na gestão dos negócios. Vemos isso de maneira mais significativa em alguns segmentos importantes para a economia do Maranhão, como no varejo de confecções e nos serviços estéticos e de beleza”, aponta a diretora de Administração e Finanças do Sebrae estadual, Rachel Jordão.

Percebendo as mudanças no mercado maranhense, o Sebrae já oferece produtos e soluções adequadas para as mulheres que resolveram empreender.  “Temos soluções para otimizar processos administrativos, melhorar a produtividade de suas equipes e a qualidade de produtos ou serviços ou sua competitividade e posicionamento no mercado. Nossa equipe técnica está apta a atender quaisquer demandas dentro da nossa expertise, que é a gestão do conhecimento empresarial nos pequenos negócios”, finaliza o diretor técnico da instituição, Antônio Garcês.

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