Estudar medicina na Espanha: cinco coisas que você deve saber

Se você escolheu cursar medicina no exterior – ou se deseja ser proficiente no idioma espanhol – deve considerar estudar na Espanha. Reconhecido por sediar universidades de classe mundial, com professores renomados e hospitais modernos, este país europeu da península Ibérica pode fornecer a educação médica de que você tanto sonha.

Na Espanha, você também pode encontrar um custo de vida mais barato do que em outras escolas de medicina da União Europeia. Então, se você está pensando em estudar medicina na Espanha, aqui estão cinco coisas que você precisa saber antes de se inscrever no curso:

1. Quais são os requisitos para a matrícula nas faculdades de medicina da Espanha?

Os candidatos ao curso de medicina devem apresentar o diploma do ensino médio – Bachillerato, na Espanha – e o histórico escolar ou equivalente (para os países signatários da Declaração de Bolonha). Para os estudantes estrangeiros, como os provenientes do Brasil, por exemplo, o certificado de segundo grau precisa ser validado pela Embaixada da Espanha, com apostilamento de Haia e tradução juramentada.

Os alunos internacionais também precisam fazer o BioMedical Admissions Test (BMAT) para ingresso em faculdades de medicina como a Universidad de Navara, na província homônima, e Universidad CEU Cardenal Herrera, em Valência. Administrado pelo Cambridge Assessment Admissions Testing, este exame de língua inglesa avalia o conhecimento do candidato em Ciências e Matemática. O BMAT não se limita às duas universidades espanholas, pois também pode ser usado para ingressar em faculdades de medicina no Reino Unido, na Ásia e na maioria dos países europeus.

Depois de preencher estes requisitos, o candidato precisa submeter-se a um pré-registro. As faculdades avaliam a pontuação dos candidatos, tendo como base uma nota de corte geral de 12,5 pontos. Embora uma boa nota seja importante, é possível ingressar por meio de um sistema especial de admissão, se o candidato atender aos seguintes requisitos:

– Possuir diploma universitário ou equivalente (2% das vagas);

– Ter 25 anos ou mais, com aprovação no vestibular (3%);

– Idade entre 40-45 anos, com experiência profissional (2%);

– Idade acima de 45 anos, sem experiência profissional (1%);

– Grau de deficiência (5%);

– Atletas de alto rendimento (3%).

As escolas particulares geralmente têm mais requisitos. No CEU Universidad Cardenal Herrera, por exemplo, é necessário uma entrevista (pessoal ou por Skype). Na Universidad Europea e Madri, os candidatos devem fazer um teste de admissão que também inclui uma entrevista. Isso ajuda a determinar o conhecimento geral do aluno, proficiência no idioma e demais habilidades.

2. Em que idioma você estuda medicina na Espanha?

A maioria das escolas de medicina usa o espanhol como principal língua de ensino. Existem algumas escolas, como a CEU Universidad Cardenal Herrera, por exemplo, que usam uma mistura de inglês (48%) e espanhol (50%). O mesmo se aplica à Universidade de Barcelona, ​​onde o inglês é usado para ministrar parte das disciplinas acadêmicas. Portanto, é necessário ter proficiência nestes idiomas.

Os diplomas de espanhol aceitos incluem certificados homologados, como os emitidos pelo Instituto Cervantes (DELE) ou por outros institutos oficiais de idiomas na Espanha. Quanto às certificações em inglês, exames como TOEFL, Cambridge e PTE (Pearson Test of English Academic) são reconhecidos.

3. Quais são os componentes do currículo médico na Espanha?


O tempo de duração do curso de medicina na Espanha é de seis anos, assim como a maioria dos países da UE. Abrange um total de 360 ​​ECTS (European Credit Transfer Scale) – sistema de pontos que compara os programas dos países europeus – sendo 1 ECTS igual a 10 horas presenciais e 15 horas de trabalho do aluno.

Os primeiros dois anos do curso de medicina na Espanha abrangem estudos pré-clínicos ou treinamento básico. No CEU Universidad Cardenal Herrera, por exemplo, este período inclui disciplinas de Anatomia, Biologia, Bioquímica, Fisiologia, Bioética, Biofísica, Histologia e Genética.

Do terceiro ao quinto ano, as disciplinas clínicas são obrigatórias. Na Universidade de Barcelona, ​​estes três anos incluem Histologia, Imunologia, Farmacologia, Genética, Radiologia, Cirurgia, Cardiologia e Otorrinolaringologia, para citar algumas. Disciplinas eletivas também são cursadas do terceiro ao quinto ano.

No último ano, os estudantes se concentram nas unidades clínicas. Isso inclui hospitais, clínicas estaduais e centros comunitários. Um projeto escolar de seis créditos também é necessário antes da formatura.

4. Quantas faculdades de medicina existem na Espanha?

Existem 42 escolas médicas na Espanha. Dentre elas, 31 são públicas e 11 privadas. As instituições estão situadas em Madri, Catalunha, Andaluzia, Cantábria e Extremadura, para citar algumas regiões.

Entre as universidades espanholas mais bem classificadas no “QS Worl University Rankings 2021” estão a Universidade de Barcelona, Universidade Autônoma de Madri, Universidade Complutense de Madri, Universidade Autônoma de Barcelona e Universidade de Navarra.

5. Quão difícil é estudar medicina na Espanha?

Pode ser difícil entrar nas escolas de medicina espanholas devido ao “numerus clausus” ou ao número limitado de admissões. No entanto, isso tem aumentado ao longo dos anos, de 4.500 vagas em 2001 para 5.700 vagas no presente. Em comparação com outros países, as escolas médicas espanholas não oferecem apoio acadêmico, como tutoria e aconselhamento pessoal. A falta disso torna mais difícil estudar medicina na Espanha.

Os alunos que não são proficientes em espanhol também podem encontrar um grande desafio para estudar na Espanha, especialmente durante as residências clínicas, já que pacientes e funcionários de hospitais e unidades de saúde só se comunicam em espanhol.

Depois de formados, os estudantes de medicina enfrentam outro desafio: a falta de vagas para residência. Embora o “numerus clausus” para faculdades de medicina tenha aumentado constantemente ao longo dos anos, as vagas de residência não acompanham a demanda. Isso pode forçar os graduados em medicina na Espanha, tanto locais como estrangeiros, a buscar treinamento fora do país.