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Centro comunitário de quebradeiras de coco do Maranhão ganha reconhecimento em premiação nacional de arquitetura

O Centro de Referência Quebradeiras de Babaçu, construído em Vitória do Mearim com o apoio da Fundação Vale, foi reconhecido em maio no 9º Prêmio Arquitetura Tomie Ohtake AkzoNobel, na categoria Profissional, concorrendo com outras 190 obras inscritas. O projeto arquitetônico é de autoria do Estúdio Flume e pode ser visto na exposição gratuita no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, até 2 de julho.

A construção do núcleo é uma das ações do projeto Rede Mulheres do Maranhão (RMM), que tem o apoio da Fundação Vale. A Rede é composta por mais de 200 empreendedoras, empreendedores e quebradeiras de coco babaçu, que encontraram no trabalho coletivo sua fonte de renda. Engloba 15 negócios sociais localizados em comunidades vizinhas à Estrada de Ferro Carajás, que interliga o sudeste do Pará a São Luís, no Maranhão.

“O projeto de construção do Centro de Referência nasceu de um pedido da Fundação, em parceria com a Mandu, consultoria social que nos apoia, ao escritório Flume. Na demanda, era fundamental que o projeto considerasse os usos, necessidades e a conexão ambiental e cultural com as quebradeiras da região”, definiu Patrícia Hespanhol, analista da Fundação Vale.

O espaço tem diferentes utilidades para as quebradeiras da comunidade de Sumaúma, de Vitória do Mearim e região. Além de uma área de beneficiamento do coco babaçu, há uma cozinha semi-industrial, áreas de suporte às quebradeiras e uma loja, onde já são comercializados produtos panificados, utilizando a farinha de mesocarpo do coco.

“Estamos muito orgulhosas. Cada pedacinho aqui foi pensado por todas nós. Esse Centro melhora nossa forma de trabalho e fortalece nossa união”, afirmou orgulhosa Luana Correa, quebradeira de coco babaçu e integrante da Rede em Sumaúma.

Sobre a Rede Mulheres do Maranhão

Os negócios da Rede Mulheres do Maranhão atuam em diferentes setores, que vão desde a fabricação de doces, mel, confecção de roupas, beneficiamento e quebra do coco babaçu, castanha de caju, panificação, cultivo de verduras e legumes. O projeto tem apoio da Fundação Vale, que atua em comunidades vizinhas à Estrada de Ferro Carajás, entre o Maranhão e o Pará.

Trata-se de uma tecnologia social, criada e implementada como legado social, ambiental e econômico, em alternativa para inclusão socioprodutiva de mulheres, ex-vendedoras ambulantes ao longo da Estrada de Ferro Carajás e extrativistas quebradeiras de coco babaçu.

A Rede atua como uma garantia de sustentabilidade para 15 negócios sociais e 4 grupos de quebradeiras de coco babaçu que a compõe, representando uma estrutura sólida de identidade entre as empreendedoras e um ponto focal de cooperação local.