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Carnaval: otorrino alerta para a doença do beijo durante a folia

O Carnaval está chegando e com ele, acende o alerta para a ‘doença do beijo’. Segundo o otorrinolaringologista Dr. Bruno Borges de Carvalho Barros, há vários sinais de alerta e cuidados essenciais com a saúde durante a folia.

“Doença do beijo” é mito ou verdade?

É verdade — e costuma aparecer depois de períodos de contato intenso entre pessoas. A mononucleose infecciosa, conhecida como “doença do beijo”, é causada pelo vírus Epstein-Barr e pode provocar:

✔ Dor de garganta intensa
✔ Amígdalas inchadas
✔ Febre prolongada
✔ Ínguas no pescoço
✔ Cansaço excessivo

“No Carnaval, aumenta muito a transmissão de vírus respiratórios e também da mononucleose, que é passada pela saliva. Nem toda dor de garganta pós-folia é só irritação: pode ser infecção”, explica o otorrino que alerta para os demais cuidados nessa época.

Som alto: quantos decibéis atingem blocos e shows?

Durante desfiles e apresentações musicais, o volume sonoro pode ultrapassar 100 a 120 decibéis, nível considerado potencialmente lesivo para a audição em poucos minutos de exposição.

— Acima de 85 decibéis já existe risco de lesão auditiva quando a exposição é prolongada. Em um trio elétrico, a intensidade é tão alta que pode causar dano mesmo em períodos curtos, especialmente para quem fica próximo das caixas de som — explica o médico.

O problema é que a perda auditiva causada por som alto é cumulativa e irreversível.

Zumbido depois da festa: normal ou sinal de lesão?

Aquela sensação de ouvido abafado ou zumbido após um bloco não deve ser ignorada.

— Se o zumbido dura algumas horas e melhora, pode ser apenas um sinal de sobrecarga temporária do sistema auditivo. Mas, se persiste por mais de 24 a 48 horas, pode indicar uma lesão nas células da audição — alerta o otorrino.

Segundo ele, muitos jovens estão apresentando sintomas auditivos cada vez mais cedo.

— A soma de fones de ouvido em volume alto no dia a dia com exposições intensas em festas e shows está antecipando casos de perda auditiva que antes eram mais comuns em pessoas mais velhas.

Rouquidão de Carnaval: abuso da voz ou problema nas cordas vocais?

Gritar para conversar, cantar por horas e disputar com o barulho do ambiente sobrecarrega diretamente as pregas vocais.

— Rouquidão após dias de folia geralmente é resultado de abuso vocal, uma inflamação temporária das cordas vocais. O problema é quando a pessoa continua forçando a voz, mesmo rouca, o que pode causar lesões como nódulos ou pólipos — explica o especialista.

Álcool piora a inflamação da voz?

Sim — e por vários motivos. O médico afirma que o álcool desidrata, aumenta o refluxo e reduz a percepção de esforço. A pessoa fala mais alto, por mais tempo, sem perceber que está machucando a voz. Isso favorece inflamação e prolonga a rouquidão.

Quando procurar um médico após o Carnaval

O especialista orienta buscar avaliação se houver:

  • Zumbido persistente ou perda de audição
  • Rouquidão por mais de 7 a 10 dias
  • Dor forte ao engolir
  • Febre e mal-estar intenso
  • Aumento importante das amígdalas

Dr. Bruno Borges de Carvalho Barros, otorrinolaringologista

Médico otorrinolaringologista pela UNIFESP. Pós-graduação pela UNIFESP. Especialista em otorrinolaringologia pela Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e cirurgia cervico-facial. Mestre e fellow pela Universidade Federal de São Paulo.